terça-feira, 8 de março de 2011

As vantagens de Acampar: uma avaliação do Retiro de 2011 em Poxoréu, MT

É uma pena, mas acabou-se o que era doce. Inegavelmente, o Retiro de Famílias de 2011, em Poxoréu, foi um dos melhores que já tivemos em todos os tempos. Aprendemos muitas coisas, tanto teóricas, quanto práticas, as quais servirão para nos ajudar a definir os nossos rumos em direção ao norte celestial. Jesus em breve virá para nos buscar, para nos levar para si mesmo, para que nós estejamos com Ele para sempre. Para tanto, para que não venhamos ficar para trás, necessitamos andar a cada dia em novidade de vida, deixando as coisas erradas que fazíamos quando não tínhamos a direção certa para o nosso andar.

Rio dos Crentes foi o nosso Campo de Treinamento, assim como o Carith (Querite) foi para o profeta Elias. Guardadas as devidas proporções de tempo e de espaço, assim como Elias passou um tempo escondido nas margens daquele ribeirão (1 Rs 17:3, 5), onde aprendeu a sobreviver bebendo das águas daquele riacho e comendo pão e carne trazida por corvos, conforme a determinação divina, nós também passamos um tempo de quatro dias (bem menor do que o tempo de Elias), em Poxoréu, MT, no Acampamento Rio dos Crentes, situado a 5 km da cidade, às margens do ribeirão Areia, um dos formadores do rio Paraguai.

Já estávamos avisados de que este seria um Retiro diferente, provavelmente com chuvas. O clima mundial está mudando. As chuvas parecem descontroladas. Todavia, nos últimos anos nós sempre tivemos dias de estiagem na época do Retiro em Poxoréu. E este ano poderia ser igual. Mas, não sabemos por que imaginamos que em 2011 haveria a possibilidade de ser diferente. E pedimos aos irmãos que viessem preparados para um Retiro provavelmente chuvoso. E, de fato choveu. Mas apenas choveu. Não houve tempestades. Praticamente não tivemos incômodos. Mas o mais importante é que as pessoas estavam felizes e ninguém reclamou do mau tempo. Na saída do acampamento, no último dia, um dos ônibus ficou atolado. Foi uma grande oportunidade para exercitarmos o nosso aprendizado em Rio dos Crentes. Vários irmãos meteram a mão na lama e procuravam de uma, ou de outra forma ajudar, na medida de suas possibilidades. Solivan chegou carregando uma pedra enorme para colocar embaixo dos pneus; Valtuires pegou uma pá e começou a carregar pedregulhos para o mesmo lugar (de pá em pá é que se enche um carrinho); Juracy, de machado em punho foi para o mato e voltou com uma alavanca para erguer o ônibus através dos ensinamentos da Física de Arquimedes; Edimar chegou com a sua caminhonete com tração nas quatro rodas para puxar o ônibus; disseram que precisava de peso na carroceria e vários irmãos se prontificaram para isso; uma corda apareceu e foi amarrada como tirante, mas não agüentou o tranco; então Bertulino foi atrás de um arame mais reforçado, encontrando os varais que o irmão Zé do Rio usa para secar a roupa lavada; um irmão questionou sobre a resistência do material; outro respondeu que se dariam duas, três, várias voltas para aumentar a resistência; decidi sair atrás de um cabo de aço pela vizinhança. Pensei que se não conseguisse com o Genivaldo do seu Fiinho, iria até a cidade e daria um jeito; então arrumei um cabo de aço na Secretaria de Obras do Município com o guarda Divino Eterno de Oliveira (irmão do missionário Zigomar e que já foi neotestamentário), mas antes de pegar o monte de aço, liguei para minha esposa Lourdes e ela me disse que já haviam desatolado o veículo. Tempo perdido? Claro que não! Teria sido perdido se eu não tivesse aproveitado a oportunidade para praticar o que Deus tem me ensinado por meio da convivência com os irmãos. Para o desatolamento usaram uma corrente que o irmão Nanao Yamamoto tinha, disse a Lourdes. E então voltei para o Carith, desculpe, para o Areia, meditando nessas coisas. Que bela ilustração havíamos recebido para o estudo do Pr. Nanao, sobre os Campos de Treinamento dos Servos de Deus.

As chuvas não foram problemas; antes, foram bênçãos para nós. Certa vez ouvi o missionário Albert Robson, da Inglaterra, dizer para nós, em Rio dos Crentes, que o povo do Brasil precisava enfrentar uma perseguição para saber o que significaria ser crente em situações adversas. E certamente, nós precisamos passar por essas experiências (como também evidenciou neste Retiro o Pr. Yamamoto). Existem coisas que a gente pode até aprender sozinho, mas a maioria requer a convivência que torne possível a prática. Segundo Jesus, o aprendizado teórico é bom, mas somente seremos bem-aventurados quando pusermos em prática as lições recebidas (Jo 13:17). E embora fosse um bom orador, o Senhor dizia aos seus ouvintes que se não conseguissem dar crédito em suas palavras, que observassem as suas obras (Jo 14:11). O salmista também diz coisas semelhantes: “Vinde, e vede as obras de Deus: é tremendo nos seus feitos para com os filhos dos homens” (Sl 66:5).

É pelo fruto que se conhece a árvore (Mt 12:33). Não somente pelas folhas. Dr. David Decker, irmão do saudoso missionário Willian Keneth Decker (já na glória) deixou isso bem claro em sua preleção. Ele nos apresentou uma folha de mangueira, mas quem poderia dizer de que espécie era a árvore à qual pertencia aquela folha? A mangueira seria coquinha, coração de boi, Sabina, Bourbon, pequi? Não é impossível para um especialista responder, mas para a maioria de nós, mortais, certamente seria difícil de acertar. Enquanto estivermos apenas cheios de teorias não passamos de uma árvore cheia de folhas e que pode ser qualquer coisa: joio, trigo, mangueiras... São os frutos, a prática das boas obras que irá dizer quem nós somos realmente. É muito fácil falar, mas fazer é que são elas. De forma que precisamos aprender a dar valor nas oportunidades de exteriorizar aquilo que temos aprendido com nossos professores. Não fomos salvos apenas para nos enchermos de teorias, mas para as boas obras (Ef 2:10; Tt 3:14).

Rio dos Crentes é um campo de oportunidades. Nesse lugar, quando nos reunimos, os nossos líderes seguem o exemplo de Eliseu que ensinou concretamente a seu servo Geazi como deveria fazer as coisas (estudo do Pr. Honório para os jovens). Às vezes, os servos não apreciam os conselhos e as admoestações de seus mestres e têm de aprender da forma mais difícil. Foi o que aconteceu com Geazi, o qual, ambicionando o dinheiro do leproso Naamã, acabou ficando também com sua lepra (2 Rs 5:27). É verdade que nós vivemos no mundo e nossa missão é servir de instrumento para que o Espírito Santo chegue até esses pecadores e os convença do seu pecado (Jo 16:8) e de que somente o Senhor Jesus pode salvá-los eternamente (At 4:12), como deixou bem claro o nosso querido missionário Genaro Moreno (da Bolívia), porque somente Ele deu a sua vida por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8).

Em Rio dos Crentes, todos os ensinos visam a formação moral e espiritual de verdadeiros homens de valor, conforme demonstrou nosso querido missionário Isaías Almeida, Coordenador da UMNT – União Missionária Neotestamentária, valendo-se dos tantos exemplos bíblicos, dentre os quais Barnabé (At 15:37), Moisés (Ex 18:21-22), Epafrodito (Fp 2:25) e Pedro (At 5:29). Um servo bem preparado sabe imitar a fé de seus mestres, honrando-os com um viver de acordo com o que aprendeu, sabendo de quem aprendeu (Hb 13:7).

E quantos servos tivemos neste ano em Rio dos Crentes! Homens, mulheres, crianças... Na abertura, dia 05/03 tínhamos em torno de 200 pessoas, pela minha contagem; no domingo, dia 06, pela manhã, a missionária Rosângela Lins e eu contamos 301 participantes; e, na última contagem feita por irmã Mathilde Paulo dos Santos registramos 308 campistas debaixo dos tetos de nossas barracas e alojamentos. Que coisa linda de se ver. Carros, motos e gente... Muita gente. E todos felizes, trabalhando uns em prol dos outros com grande alegria. Não é por acaso que Davi exalta as maravilhas da unidade espiritual dos irmãos em seu Salmo 133: “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união”.

A solidão, o isolamento e a falta de congregação não foi cogitada para o homem. Essa foi a avaliação divina logo após a criação. “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). O que acontecerá se este cair e estiver sozinho? Quem irá ajudá-lo a se levantar? “Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca.” (Sl 68:6). E como é maravilhoso ter uma família. Na última noite do Retiro deste ano eu tive a oportunidade de testemunhar sobre a forma maravilhosa com que fui sustentado por Deus no ano passado, através da união de esforços, de disposições e de vontades dos meus irmãos neotestamentários e de tantos outros espalhados por outras denominações que não somente oraram, mas igualmente contribuíram para que meu filho Ricardo pudesse ser submetido a uma cirurgia de alto risco, a fim de retirar um angioma cavernoso, instalado na base superior de seu tronco cerebral, logo abaixo do cérebro. Eu não fiquei com o sofrimento sozinho, a dor foi sentida em diversas partes da América. Essa é a lição da prática, aquela parte que o Pr.Nanao disse que caberia a nós fazer. De nada adianta dizer-se que ama, que se faz parte do grupo ou que somos um em Cristo Jesus, se na hora H, fingimos que a coisa não é conosco, ou por outro lado, ignoramos os irmãos, temos vergonha de pedir socorro ou de aceitarmos a ajuda. Ouvi certa vez o missionário Genaro Moreno dizer em Rio dos Crentes que nós precisamos dar oportunidades para que os irmãos sejam abençoados. E como eles poderão receber as bênção de Deus, se nós negligenciamos a ajuda de suas mãos estendidas. Parafraseando o matemático Blaise Pascal ouso dizer que ninguém é tão forte que não precise de ajuda e nem tão fraco que não possa ajudar. É na família e na comunhão que nós alegramos o Espírito de Deus que habita em nós e é por isso que o autor de Hebreus insta conosco para que não deixemos “a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10:25).

E foi mais ou menos isso que aconteceu em Poxoréu durante o nosso Retiro de Famílias de 2011. Em tudo Deus nos abençoou, suprindo nossas necessidades com abundância, de sorte que nada nos faltou; pelo contrário, sobejou. E sobre esse particular nós voltamos para casa com uma mensagem a ser melhor compreendida, de que não podemos desperdiçar nada daquilo que Deus abençoou para nós, sabendo que tudo o que não jogarmos fora poderá ser transformado por Ele em melhores comodidades para nós, nossos irmãos e nossa família espiritual, tanto em nossas casas, como em noso Acampamento.

Espero que tenham gostado. Sei que escrevi demais, mas graças a Deus por cada palavra que Ele me deu. E em abril tem mais.

No dia 21 de abril, feriado nacional, aniversário da Capital Federal, Brasília, nós estaremos recebendo os jovens neotestamentários para o Neo Retiro de Jovens de 2011 aqui em Poxoréu, MT. Que todos se peparem para receber uma chuva de bênçãos em Poxoréu. E venham para cá. Vou pedir a Deus para que as orquídeas estejam abertas em lindas flores para recebê-los.

Um beijo fraterno.

P.S.: Esta mensagem foi ilustrada com as fotos de nossas mulheres (Bisavós, avós, mães, filhas, esposas, sobrinhas), a quem abraçamos na passagem deste dia internacional da mulher em nome de todos os homens neotestamentários.

12 comentários:

Marinalva disse...

Querido irmão, parabéns pelo seu talento e dedicação, com certeza não escreveu demais, apenas o sufiente para todos saberem como é bom estar em Poxoreú. Valeu mesmo.

Isa2 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isa2 disse...

Izaias, eu não tenho condições de escrever como você escreve. Você está sempre no lugar certo e no momento certo...
É gostoso e agradável ler seus escritos e notícias. isa2

Isa2 disse...

O salmo 133 é uma realidade no meios dos NEOS.
ISA2

márcia rondonopolis disse...

Obrigada! irmão Izaias, que Deus continue lhes dando forças e saúde para continuar esse trabalho. Nos sentimos ainda mais importantes.

Prof. Izaias Resplandes disse...

Nalva... Isaias... Vocês são generosos. Eu agradeço o feed-back. Queria que outros mais falassem sobre os escritos. Não para minha glória pessoal, porque não mereço glória alguma. Tudo que aprendi foi o que Deus me oportunizou. E não aprendi para mim, mas para servir a Ele. Dou glórias ao Senhor pela minha salvação, pela família neotestamentária e pelas oportunidades que temos de exaltá-lo. "A Ele ministramos o louvor".

Zigomar disse...

Irmão Izaías, obrigado por colocar essas maravilhas que produzistes através de tua máquina fotográfica e também pelos textos maravilhosos que produzes com a máquina que trazes no cérebro! A gente viaja com teus textos e com essas fotografias tão lindas!
Parabéns e que Deus te dê sempre esse talento, para que possamos viajar no tempo sempre que relermos

Um forte abraço!

Prof. Izaias Resplandes disse...

Márcia... Zigo... Graças a Deus que vem nos permitindo ser úteis de alguma forma no Seu serviço. Eu amo o que faço, porque não faço para mim, mas para Deus. Mas, tenham certeza, a minha maior alegria é saber que esses escritos e essas fotos estão fazendo bem para o povo de Deus. O tempo passa, ficamos mais velhos, menos imperfeitos (mas ainda imperfeitos), mas gostamos de recordar os bons momentos que vivemos. E recordar é muito bom. Em sua Palavra, Deus sempre está lembrando de como os hebreus foram libertados. Jesus nos mandou fazer a Ceia em sua memória. Lembrando que fizemos poderemos nos esforçar para fazer melhor. Que Deus nos dê a força para prosseguir, principalmente a você, Zigo, que agora começa a reunir o povo aí no Sul. Tudo de bom.

Peter Daniel Rees Jr disse...

Ir Izaias,
Agradecemos primeiramente ao Senhor que cuidou de todos os detalhes, do suprimento e do cuidado em nossa viagem, pra que pudéssemos ter um maravilhosdo tempo de comunhão e estudo da Palavra, além do trabalho que muitos irmãos fizeram com amor para que tudo acontecesse em ordem, na hora certa e com o mínimo de desconforto. Obrigado aos irmão da Igreja de Poxoréo e ao irmão Izaías pela administração do local do acampamento e finalmente en não menos importante, aos irmãos da coordenação que estavam atentos a todos os detalhes. Pena que acabou... Foi um tempo que deixou saudades no coração da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, um pequeno vislumbre do céu!!! Que o Senhor abençoe a todos.
Ir Peter Daniel e família

Prof. Izaias Resplandes disse...

Que avaliação gostosa, Ir Peter... Claro está que: "À Deus seja a glória, por seu grande amor..." Sem a providência divina não teríamos acampamento, não teríamos retiro, não teríamos cooperadores e sequer comunhão. Deus é o autor e consumador da nossa fé e de tudo o mais que acontece em nosso proveito.
Eu não deixo de agradecer a Ele pela forma com que move os irmãos para servi-Lo em alegria. É especial o amor que Ele coloca nos corações dos irmãos, principalmente dos que vêm de longe. Olha o irmão Genaro... Sai da Bolívia para vir aqui, com prazer, com alegria, nos trazer uma Palavra de conforto, de exortação (aconselhamento amoroso)... O casal que veio de Corumbá: Josías e Lígia... Que cuidado! E sem perder a alegria. Isso é que é fantástico. Você, Peter, Isaías, Nanao... Vocês não somente vieram de Campo Grande para cá, mas tiveram que preparar com muito zelo os estudos maravilhosos, atuais e necessários que nos transmitiram. Os demais cooperadores, também. Todos foram maravilhosos instrumentos de Deus.
Para mim, cada Retiro é especial. Mas o último é sempre mais especial, porque já nos pega, vamos assim dizer, com um grau a mais daquela perfeição que Paulo diz estar perseguindo...
Então é assim que eu vejo. E também já estou com saudades. Abraços a todos. E tenham um bom dia.

Anônimo disse...

Irmão o texto ficou muito bom, parabens.Fica no pensamento como acontecu o retiro. O dom das palavras do irmão é uma benção.(Eduardo C Nantes-Campo grande-ms)

Prof. Izaias Resplandes disse...

Irmão Eduardo... Sentimos sua falta este ano em Poxoréu. Você, irmã Nilda... As anotações nos ajudam a lembrar das explicações, dos comentários; e as fotos nos despertam para as maravilhas da convivência familiar com os irmãos. Esperamos que estejam aqui nos próximos retiros, se o Senhor nos permitir acampar. Pode ser que Ele venha antes, para nos levar, para que onde Ele estiver, nós também estejamos. Abraços.