sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura... Mc. 16:15.

Infelizmente, às vezes nos deparamos com crentes que tomaram este versículo da palavra de Deus e quer de todas as formas colocá-lo como um fardo nas próprias costas e nas dos obreiros da igreja. Devemos tomar muito cuidado porque isto é perigoso e podemos passar a outro extremo!
Então vamos desprezar o versículo? Claro que não! Essa foi uma ordem dada por Jesus aos seus discípulos, antes que houvesse igreja. Porém, devemos tomar cuidado com esse “ide”, para não vermos apenas como uma ordem a nós hoje, de sairmos importunando as pessoas, a ponto de distancia-las ainda mais de Deus, tentando fazê-las engolir o evangelho, argumentando que é nossa obrigação, ganhá-las para Deus.
Aliás, “Evangelho” quer dizer boas novas de salvação. Então o que temos que pregar é a boa notícia de que Cristo morreu na Cruz para a salvação de todas as pessoas e que, todo aquele que O receber, crendo Nele, será dado o poder de ser filho de Deus, Jo. 1:12;  O apóstolo Paulo disse em Rm. 1:16, “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”...  Em Rm. 10 14a diz: ...e como ouvirão se não há quem pregue? É nosso dever pregar? Claro, com certeza é; mas devemos tomar cuidado ao interpretarmos a ordem de Jesus “ide”. 
Muitas pessoas dizem: “A palavra diz Ide e não Vinde; então todo tem que sair por aí levando o evangelho de porta em porta, não devemos esperar as pessoas virem à igreja, devemos ir atrás delas”.
Não é bem assim hoje. Os tempos são outros, as épocas mudaram, as pessoas mudaram e o sentido que os “evangélicos” dão para evangelho hoje também mudou.
Quando eu digo que os tempos mudaram eu quero dizer que ninguém quer mais receber pessoas na porta de sua casa, porque não pode ter garantia de que realmente é um pregador que vai falar de Deus. Mesmo aqueles que querem ouvir uma palavra boa dificilmente abrem a sua porta para receber uma pessoa, por mais que esteja com uma Bíblia. Ninguém confia mais em ninguém. Há insegurança demais para as pessoas confiarem a ponto de abrir a porta para alguém. Não estou dizendo que devemos parar de pregar por isto; estou dizendo que o “ide e pregai”, é muito mais que sair batendo palmas nas portas e tirando as pessoas dos seus afazeres para dar-lhes a notícia da salvação.  
Ir por todo mundo e levar o evangelho é viver o evangelho de forma que, em as pessoas vindo até nós, ou nos encontrando de alguma forma, possa ver em nós o poder de Deus.  Que o reflexo da luz de Deus, através de nós seja visível àqueles que nos cercam mesmo não nos dando a oportunidade de falar-lhes acerca do evangelho. Temos que ser o sal da terra e a luz do mundo desta forma. Não tendo a oportunidade de nos apresentar às pessoas, mas, sendo vistos de alguma maneira, sejamos vistos como exemplo dos fiéis; como pessoas que vivem o evangelho da verdade e não apenas pessoas que falam dele.
Os inconversos hoje não veem Jesus o Salvador do mundo como Ele realmente é, por causa da imagem que lhes é passada através das atitudes de muitos que estão “indo” sem, contudo, levar o poder de Deus. O evangelho está sendo banalizado. Quando se fala em evangelho, as pessoas já faz uma ligação com o “evangelho” da prosperidade. Recentemente passou aqui uma caravana com bandeirinhas, com um carro de som e uns homens de terno e gravata, correndo nas calçadas, fazendo uma espécie de exorcismo, com microfones e abençoando as pessoas nos interiores das casas, gritando. Estão apelando. Pregar o evangelho a toda criatura é muito mais viver o evangelho em nossas vidas, dando exemplo com nossas atitudes, nosso viver diário. Nossas ações, devem ser evangelizadoras por onde formos. Esse é o sentido hoje de ir por todo o mundo levando o evangelho. Dizer que não temos que esperar as pessoas nos templos é muito radicalismo.
Temos que tomar muito cuidado de, pelo fato de ficarmos tão apegados ao “ide”, esquecermos-nos das outras funções importantes que a igreja tem.
Desde a primeira igreja, descrita em Atos dos apóstolos 2:42,43 que diz o seguinte: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda alma havia temor e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos”.   Assim deve ser a igreja.  Perseverante, ter doutrina, viver uma vida de oração, ter comunhão uns com os outros e com o Senhor, lembrando sempre da bênção maior que um ser humano pode receber que é a bênção da salvação, com a qual fomos abençoados, Ef. 1:3. 
No versículo 46,47 de Atos 2 diz: “E perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão de casa em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. Vemos aqui agora, pessoas vindas e sendo acrescentadas à igreja, pelo Senhor, que é o dono da Seara. Porque essas pessoas vinham? Porque viam as vidas cheias da graça de Deus, viam a união, a comunhão, o louvor vendo o testemunho das almas que haviam sido salvas, a alegria e singeleza dos corações deles. Viver em singeleza é viver com simplicidade e naturalidade e sinceridade.
  Discordo quando  alguém diz que as igrejas neotestamentárias não pregam o evangelho. Quase todas as igrejas tem cultos ao ar livre a muitos e muitos anos, todos os meses; às vezes duas vezes ao mês. Aqui em Porto Alegre, eu, que estou só, procuro pregar levando folhetos às pessoas e colocando também nas caixas de correspondências, na grande maioria, visto que somos cercados de blocos de apartamentos, de onde as pessoas só saem às pressas e retornam sem querer ser interrompidas por ninguém. Às vezes entrego um folheto a transeunte nas ruas e tento falar, mas a pessoa pega e sai quase correndo, já pela desconfiança. Então, eu oro a Deus para direcionar os folhetos às pessoas e faço esse trabalho desta forma. Mas isto também é pregar o evangelho. Prego para o cabeleireiro, pregamos para a dentista, para os vizinhos mais próximos que aceitam falar conosco, mais por educação do que por sentir necessidade da Palavra, enfim. Temos que admitir que vivemos este tempo difícil. Sem contar que são poucos os que querem realmente entrar pela porta estreita. Se pregarmos “Evangelho” da prosperidade aí sim, muita gente pode até dar mais atenção, mas desta porta larga, eu quero que as pessoas saiam.
Cuidemos para não desprezar os outros ministérios que o Senhor dá aos seus servos, pelo fato de estarmos apegados somente ao “Ide por todo mundo”. Deus tem outros propósitos para seus obreiros. Ef. 4:11,12 diz: “E Ele mesmo deu, uns para apóstolos, e outros para profetas e outros para evangelistas e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério do corpo de Cristo”. Devemos trabalhar no sentido de aperfeiçoarmos aos crentes, firmando-os no evangelho para que vivam o evangelho. E no versículo 13,14 diz: “Para que cheguemos a unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito a medida da estatura completa de Cristo. Para que não sejamos mais como meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”.
 Pregar o evangelho é importante e é mandamento, mas não podemos desprezar os outros ministérios que Deus nos deu. A meu ver, hoje eles tem infinitamente mais valia do que sair jogando pérola aos porcos, dando o que é santo aos cães. Vamos pregar até ao fim, testemunhando sempre da grandiosa obra da cruz, realizada por Cristo para a salvação do mundo todo, mas não nos culpar pelo fato de as pessoas não quererem o evangelho da graça.
Quando Paulo e Timóteo chegaram a Corinto, Eles pregavam no templo todos os sábados, mas os judeus blasfemando e resistindo o evangelho, eles sacudiram as vestes e Paulo disse-lhes: “o vosso sangue seja sobre a vossa cabeça, eu estou limpo e desde agora parto para os gentios”. At. 18:6. 
Que o Senhor nos ajude a viver uma vida que por si só, pregue o evangelho da graça de Deus. O evangelho é para os já crentes também, não apenas para os que ainda não conhecem a Cristo. O apóstolo Paulo fez isto o tempo todo de seu ministério. Ele fazia discípulos dos já crentes, até que Cristo fosse formado neles. Ele diz isto em Gl. 4:19. “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto até que Cristo seja formado em vós”.  Quando ele estava se despedindo dos anciãos de Éfeso ele diz: “Mas de nada faço questão nem tenho a minha vida por preciosa, contando que cumpram com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. No versículo 27 ele diz: “Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus”. E segue falando nos versículos seguintes das dificuldades que eles enfrentariam depois da partida dele, com “lobos cruéis” que atacariam o rebanho. Dar testemunho do evangelho da graça é o nosso principal ministério hoje, segundo a minha interpretação, e, esse testemunho deve ser dado tanto a incrédulos como a crentes.

Através do fortalecimento dos irmãos, vamos ver Deus acrescentando almas em nosso meio, na medida em que estas almas queiram. Não podemos esperar muitos como foi no início da igreja, no início dos ministérios dos apóstolos porque são poucos os que entram pela porta estreita. Temos que estar cientes de que o amor se esfriará de quase todos, de que são poucos os que sentem a carência da glória de Deus, dos que quer realmente se preocupar com a vida espiritual ao invés de vida financeira.  Vamos cumprir com o ministério que temos de fortalecer aos que estão fracos os de joelhos trôpegos e vacilantes, aos desanimados, vamos ser suportes dos que estão caindo, testemunhando sempre da graça e misericórdia do Senhor. 

Grande abraço!

4 comentários:

Ivon Pereira da Silva disse...

Amado irmão, sou um assíduo leitor dos seus estudos, e refletir em seus ensinos é motivo de alegria para mim. Continue escrevendo, pois, sem perceber seus textos demonstra a sua experiência diária com Deus, e nos ajuda a caminhar nesta jornada celestial, de modo confiante.

Zigomar disse...

Obrigado irmão Ivon. Que o Senhor seja glorificado!

Cleberson de Souza Faria disse...

Irmão Zigomar... fico muito feliz em saber que eu não penso nada absurdo para os dias de hoje, pois este estudo que o senhor elaborou é exatamente o que eu tenho meditado e compartilhado aqui no trabalho local... é muito bom ler e meditarmos nestas palavras, ainda mais de alguém que está indo pregar esse evangelho, mas que, como o senhor disse, este evangelho é pregado de diferentes formas, principalmente pelo testemunho de Cristo em nossas vidas. Parabéns pela maneira que expressou e a coerência textual, a qual facilita muito para qualquer leitor entender este assunto. Que o Senhor continue abençoando ao amado irmão e sua família, e que possamos continuar lendo mais literaturas preciosas, que é o caso dessa série " Deus não faz o que nós podemos fazer". Abraços,

Zigomar disse...

Meu querido irmão Cleberson, fico muitíssimo feliz por saber que pessoas como você e muitos outros que conseguem entender a mensagem, o recado que quero passar. Porque às vezes, penso que não fui compreendido naquilo que escrevi.
Isso me deixa animado a continuar escrevendo.
Grande abraço a você e Ana Paula.