sábado, 17 de setembro de 2016

O Evangelho do Senhor


   A Bíblia é composta por 66 livros, uma “biblioteca” ao nosso dispor, e segundo os estudiosos aproximadamente 40 autores escreveram a bíblia. E apesar de ser escrita por pessoas diferentes, em lugares diferentes, momentos e necessidades diferentes, culturas diferentes, ela é coesa, ela não se contradiz.
O Antigo e o Novo Testamento se “fundem” em um só e nos apresenta Jesus Cristo o único Caminho, a única Verdade, e a verdadeira Vida. E o mais importante e surpreendente, apesar de ser escrita há milênios atrás, ela satisfaz todas as nossas necessidades de HOJE!
Hoje ela nos indica o caminho, hoje ela nos exorta, hoje ela nos ensina, nos aconselha, nos orienta, nos consola e nos dá esperança.
        E sabemos que apesar de tantos autores, na verdade só existe um Autor, nosso Deus todo poderoso, que através do Espirito Santo inspirou todos eles, cada linha, cada parágrafo foi escrito pelo Poder de Deus, e sendo assim Ela possui Autoridade Divina.
Para nós cristãos crer na Palavra de Deus é essencial, é vital, pois se cremos devemos nos submeter a Ela. Se cremos, lemos e estudamos, consequentemente aprendemos, e se aprendemos devemos ensinar.
Cada palavra ali escrita é uma fonte inesgotável de vida.
Lendo a Bíblia, estudando a passagem da “Primeira Multiplicação de Pães”, que está descrita nos quatro evangelhos repleta de preciosos detalhes, ricamente narrados por Mateus, Marcos, Lucas e João, fiz algumas anotações para minha vida e que gostaria de compartilhar.
Para facilitar para o leitor explico de antemão que o meu método aqui foi destacar algumas passagens e simplesmente comentá-las em baixo. Boa leitura.


Marcos 6:30

“Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado”.

Relatar: expor por meio de escrita ou oralmente; apresentar relatório

Quando volto para casa, no final do meu dia, no término dos meus afazeres, que relatório apresento para Jesus? O que estou fazendo? O que estou ensinando?

Ou mesmo se não saio de casa, ao me deitar qual relatório tenho para entregar a Jesus Cristo?

Aqui nessa passagem de Marcos é bem claro, tudo quanto haviam feito e ensinado, eles relataram a Jesus.

 Como estou em casa? Como estou com meu esposo, filhos, pais? No meu trabalho, na escola? Na empresa? Como é o meu comportamento? Quais são meus pensamentos e intenções?

Falei do Senhor para alguém? Falei da necessidade da salvação? Mostrei o Senhor através dos meus atos e palavras? Exalei o Seu perfume?

Jesus Cristo todos os dias espera um relatório meu, um relatório nosso, Ele disse IDE e pregai o EVANGELHO. Assim está registrado em Mateus 4:23 – “Percorria Jesus toda a Galiléia ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino”

Hoje amados, a voz do Senhor Jesus não chegará aos nossos ouvidos como chegou para os apóstolos naquela época, ensinando-os ou pontuando as ações relatadas por eles, como podemos imaginar, mas temos a Palavra de Deus e o Espírito Santo para isso. Podemos buscar a orientação do nosso Senhor através da oração e leitura a respeito das atitudes que se destacaram no nosso dia, tanto positivas, como negativas ou omissas.

E com certeza através da fé poderemos compreender o verdadeiro significado da Palavra: “não só de pão viverá o homem...” Amém.

Lucas 9:11

“Mas as multidões, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura.”

Em Marcos 6:14-29 relata sobre a morte de João Batista, nos versículos seguintes nos fala também sobre o cansaço de Jesus e seus discípulos e sobre o fato de que eles não tinham tempo nem para comer.

Então fiquei pensando apesar da tristeza pela morte de João Batista, apesar do cansaço e da fome, Jesus acolheu a multidão e lhes falou a respeito do reino de Deus.

Jesus não se permitiu descansar, Ele não pensou Nele, em suas necessidades, pensou no outro, no próximo. Ele acolheu, “abraçou” aquela multidão e lhes falou do Reino!

Fiquei pensando o que é falar do Reino de Deus?

E estudando cheguei a algumas conclusões, pois sei que me faltam palavras e capacidade para colocar no papel algo tão precioso, incalculavelmente valoroso.

Acredito que falar do Reino de Deus é falar de um projeto completo, um projeto que tem início, meio e um final eternamente feliz. Falar do reino é falar da salvação, é falar do que somos e do que podemos nos tornar através do sangue de Jesus Cristo.

É falar da obra salvadora, do amor de Deus, da obediência e do amor de Jesus Cristo. É falar que somos preciosos para Deus, que Ele não mediu esforços, que tudo estava projetado em sua mente, que nada pode nos separar do amor Dele nem tempo, nem espaço, Ele nos ama, Ele deseja ter comunhão conosco.  

É maravilhoso demais, precioso demais saber que mesmo com seu tremendo poder e majestade, ainda assim Ele pensa em nós.

Reino de Deus!  Essa é a mensagem, a Palavra pura, pois crendo nela, lendo e estudando, entendemos todo o resto, tudo flui em seu compasso à medida que esse Reino vai preenchendo nosso coração, nossa mente…. Nossas vidas.

Enfim, falar do Reino de Deus é falar de um lugar, que estamos conhecendo cada vez mais, um lugar onde estão todas as coisas que realmente nos fazem felizes.

João 6: 5-8                     

Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse a Filipe: "Onde compraremos pão para esse povo comer? "Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois já tinha em mente o que ia fazer. Filipe lhe respondeu: "Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço!”  Outro discípulo, André, irmão de Simão Pedro, tomou a palavra:
"Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente? "


Jesus nos estimula a pensar, a analisar e buscar soluções. Jesus nos prova para saber onde está baseada a nossa fé, para saber o que realmente sabemos a respeito Dele. Ele nos incentiva a lembrar das coisas passadas, das bênçãos já recebidas, do quanto Ele é fiel e misericordioso.

A pergunta foi uma pergunta “fechada” direcionada a Filipe – “Filipe onde compraremos pão para esse povo comer?” respondeu Filipe: "Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço!”

Filipe além de não responder o que Jesus perguntou, respondeu de forma negativa, pessimista. E o mais grave, não lembrou de que estava diante do seu Mestre, Aquele que transformou água em vinho, que curou o filho do oficial do rei, que curou o paralitico e operou vários outros milagres.

Não, Filipe não se lembrou de nada disso, talvez o cansaço, a fome, fez com que ele por algum momento se esquecesse.

Não podemos jamais esquecer quem Jesus Cristo é, e o poder que nosso Senhor e Salvador possui, NADA, pode ofuscar a nossa mente, NADA pode nos fazer esquecer dos Seus milagres e do Seu poder, tanto na vida daqueles que nos cercam como na nossa vida.

Diferente de Filipe, outro discípulo estava atento, André, e conseguiu enxergar algo que Filipe não enxergou, e além de enxergar ele teve atitude – “Aqui está (ele trouxe, apresentou o rapaz) um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos”

Mas, a fé de André foi só até ali, talvez ele tenha ouvido a sua alma, ou talvez o sussurrar do inimigo – “mas o que é isto para tanta gente?” e a dúvida foi plantada em seu coração.

E eu que responderia diante dessa pergunta? Estou em comunhão com o Senhor, estou conseguindo ouvir as suas perguntas? E se estou ouvindo como são as minhas respostas? Qual a coerência? Estão baseada em que?

Como aconteceu com André e Filipe, pode também acontecer conosco, muitas vezes permitimos que nossa fé vacile e acabamos por duvidar do poder do nosso Deus, esquecemos das maravilhas que Ele já operou em nosso favor e de todas as promessas que para nós estão reservadas. Mas se caso isso acontecer o mais importante é que sejamos como Filipe e André, os quais sempre estavam a serviço do Senhor. E que estejamos onde eles estavam, ao lado do Senhor e trabalhando para o Senhor, onde o exercício do Seu trabalho irá nos capacitar a cada dia. Seja a nossa memória fraca, a falta de fé, ou qualquer desses defeitos que nós diariamente podemos reconhecer, o importante é que nós estejamos ali, submissos, esperando na resposta do Nosso Senhor para sentir aquela Paz que só Ele pode nos dar e seguir em frente nas decisões que sejam para honra e glória do seu Santo Nome. Que todos os dias estejamos dispostos a olhar nos olhos do nosso próximo (qualquer um que estiver ao lado) e perguntarmos como o Senhor Jesus perguntou a Filipe por exemplo, procurarmos senti-lo (o próximo), ter uma comunicação verdadeira, sincera e até mesmo profunda, estabelecer uma ligação, e acredito que através dela o Senhor, o Espirito Santo que habita em nós tocará aquela pessoa, através do amor. Glória a Deus por isso, por sermos canais semeadores da palavra de Deus, do Verbo que se fez carne e habitou entre nós.

Marcos 6:39-41

“Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde. E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta. Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles.”


Mateus 14:20-21

“Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.”

 Projeto, ordem, organização, assim são as coisas do Senhor, com ordem e decência. Jesus ordenou e assim foi feito.

A multidão foi dividida em grupos, 100 em 100, 50 em 50 ali, na relva verde, na presença do Senhor. O Senhor os alimentou da Palavra, falou do Reino de Deus, e os alimentou fisicamente. Onde a Palavra de Deus está, onde ela é falada, há resultado, há fartura, ela sacia.

Depois da Palavra temos o “maná” o pão físico, o Senhor não faz nada pela metade. Assim diz a sua palavra “Buscai primeiro o Reino de Deus e todas as coisas lhes serão acrescentadas”.

Fico pensando como foi esse momento de separar em grupos, foi separado por idade, por família, grupos de homens, grupos de mulheres e crianças, como será que foi? Como eu faria essa separação? Era apenas para aquele momento, mas como será que eu faria, cinco mil homens, além das mulheres e crianças

Consigo imaginar o Senhor sentado na relva verde, observando aquela multidão, Ele atendeu as suas necessidades principais, a Palavra e o alimento físico. Jesus falou do Reino e praticou o Reino de Deus. Sentado na relva, Jesus olhava aquela multidão, e conhecia as suas carências, seus defeitos, suas limitações, seus pecados, e talvez pensasse, eles não sabem, mas é por eles que vou morrer, é por cada um deles que vou entregar a minha vida, pagarei a dívida de cada um, a dívida não mais existirá, será riscada, e vou ressuscitar para que eles tenham Vida e a tenham em abundância. Glória a Deus por isso.

E continuando a leitura do versículo, vejo o resultado, “todos comeram e se fartaram...e ainda sobraram doze cestos” com certeza os apóstolos foram orientados pelo Senhor.

Onde a Palavra de Deus é anunciada há benção!

E o que aquela multidão sentiu?

Lendo essa passagem podemos talvez sentir um pouco do que foi aquele momento, o deleite que foi estar na presença do Senhor, o Deus verdadeiro, o Deus de amor, desfrutando da sua criação da forma como ele achou melhor. Isso é o Reino de Deus, é a presença Dele, é o nosso coração quando o entregamos por completo para Ele, é onde Ele toma as decisões, onde Ele organiza, onde Ele define a divisão dos grupos para sentar na relva, para sentar lado a lado no ônibus ... para ler um texto... a hora certa de falar... o que falar... onde ir no final de semana com a família, onde Ele define os valores, o que é certo ou o que é errado, onde Ele estabelece as consequências dos nossos atos que hoje alcançamos pela fé nas promessas por exemplo, mas que um dia veremos face a face.

Que possamos cada vez mais e mais buscar o Reino de Deus e a sua Justiça e compartilha-lo com o nosso próximo.

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo, a Ele toda honra e toda glória. 

Ceila Almeida Varela


 

Um comentário: