sábado, 28 de junho de 2008

O conteúdo da pregação


Izaias Resplandes

Um dos grandes dilemas do pregador consiste em definir o tema de sua fala quando é chamado para fazer a pregação. Mesmo que ao desavisado possa parecer simples dizer que é suficiente falar de Jesus, o assunto realmente acarreta certo grau de complexidade, principalmente em função das diferentes posições que se verificam em seu entorno. Há quem pense, por exemplo, que não há necessidade de se fazer nenhuma preparação e que na hora da pregação basta orar e pedir a Deus, o qual, por meio do Espírito Santo, revelará tudo o que deverá ser dito (teoria da revelação). Outros entendem que a pregação deverá estar embasada na racionalidade e na objetividade, as quais serão obtidas através de um planejamento prévio e de muito estudo (teoria da racionalidade). E uma terceira posição, mas certamente não a última, é defendida por aqueles que entendem que as duas teorias devam ser parcialmente unificadas. O pregador deverá orar e pedir a Deus a sabedoria e o discernimento a respeito do conteúdo de sua mensagem. Mas, sendo instrumento de Deus, deverá também usar todos os atributos que lhe foram dados por Ele para levar a um bom termo a sua mensagem, planejando e se preparando adequadamente com estudos e pesquisas, o conteúdo que apresentará aos seus destinatários (teoria mista). Essa é a posição que defenderemos, por entender que está mais adequadamente embasada na Palavra de Deus (At 9:15; Rm 6:12-13; Tg 1:5; 1 Tm 4:14-16).

A teoria da revelação baseia-se na fé absoluta. Entendemos que essa teoria já teve o seu espaço temporal de aplicação plena e que hoje deve ser temperada com uma preparação material (pesquisa e estudos). A revelação é um dos dons do Espírito, estando prevista na Bíblia (1 Co 14:6, 26; Gl 1:12), mas hoje é um dom quase em desuso, uma vez que praticamente tudo o que se deveria revelar já está revelado, embora nem todos possam ainda compreender tudo, principalmente porque não foi dado a todos o direito de compreender tudo (Dt 29:29; Rm 1:18-20; 16:25-27; Mt 13:10-17, 43; Jo 10:3). Nesse sentido, cabe aos fiéis, com a ajuda do Espírito Santo, sempre seguido de oração, estudar a Palavra, examiná-la, pesquisá-la, inquiri-la e se apropriar daquilo que será possível compreender em função do estágio de maturidade espiritual e até mesmo material de cada um (Mt 10:26; Jo 5:39; 1 Co 2:6-11). A intervenção especial de Deus só ocorrerá em casos de extrema necessidade. Na grande maioria dos casos, o homem terá que “empregar esforço” para obter o que deseja (Mt 11:12; Lc 13:24).

É certo que muitas coisas da Bíblia serão incompreensíveis para uns, mas não para outros. Tudo vai depender do grau de desenvolvimento espiritual individual, haja vista que o mesmo tempo e espaço sempre estará sendo ocupado por pessoas com diversos graus de percepção (Fp 3:12-16). Haverá, inclusive, aqueles que declararão não entender absolutamente nada, principalmente como forma de oferecer uma válvula de escape para se eximirem de qualquer responsabilidade (Mt 11:25 Hb 5:11-14; Mt 25:14-25). Deus, em nenhuma hipótese, será complacente e misericordioso com o preguiçoso e indolente (Pv 6:6-11; 21:25; Mt 25:26-30). Ficar esperando a revelação sem procurar entender as coisas com a capacidade que Deus nos deu é ser negligente, é fazer a obra de qualquer maneira (Jr 48:10; Tg 1:7-8). É tentar ao Senhor (Mt 4:6-7).

É de destacar que tais observações não significam dizer que a fé não seja necessária. Absolutamente! A fé é, com certeza, o maior dos dons divinos. Ela “vem por meio de Jesus” (At 3:16; Mt 11:27), através do Espírito Santo, quando pregamos a Palavra, por meio da qual Ele convence o homem de seu pecado e da justiça e do juízo de Deus (Rm 10:16-17; 1 Co 12:3; Jo 16:7-11). A fé é necessária para salvação, posto ser um ato de fé, a qual é dada aos homens previamente escolhidos para que possam crer que Jesus é o Cristo e, crendo nele, possam ser salvos (At 16:30-31; Ef 2:8).

E aqui surge uma grande controvérsia, na qual não nos delongaremos. Como diz Paulo em Fp 3:15, “se, porventura, pensais doutro modo, também isso Deus vos esclarecerà”. A questão é que, mesmo que a Palavra diga que o desejo de Deus é que todos cheguem ao arrependimento e sejam salvos (2 Pe 3:9), a salvação não está destinada a todas as pessoas, pois é certo que nem todas elas foram vocacionadas por Ele para receberem a Jesus como Senhor e Salvador (Jo 1:11-12). Algumas estão e outras não. E as que estão, repita-se, estão porque Ele mesmo as vocacionou, escolhendo-as para fazerem parte da família de Deus (Mt 22:9-14; Mc 13:20; 1 Co 1:26-29; Ef 1:3-5; 2 Ts 2:13-14).

E, por último, é de destacar que, embora muitos queiram discutir o comportamento de Deus, principalmente os menos zelosos, essa não é uma matéria discutível. A misericórdia de Deus não é passível de discussão. Se Ele quer fazer o bem a um e não a outro, ser misericordioso com um e não com outro, essa é uma prerrogativa dele e não nos compete entrar nos méritos dessa questão. Somos filhos adotivos Dele, porque Ele nos fez seus filhos por Sua vontade e não porque nós merecíamos. Mas se Ele quisesse que fosse de outra forma, para Ele não haveria problema algum, pois, como disse João Batista, até de pedras Deus pode fazer filhos a Abraão. Não foi Adão feito, porventura, do pó da terra e Eva, sua mulher, não foi feita a partir de uma costela de Adão? (Gn 2:7, 21-22; Jr 32:17; Mt 3:8-9; Jo 1:12-13; Rm 14:1; Mt 20:1-15).

Conclui-se, por conseguinte, que o conteúdo da pregação é a própria Palavra de Deus. Todavia, a mesma não deve ser apresentada de qualquer maneira e com desleixo, mas precedida de oração e de estudos aprofundados sobre a temática previamente escolhida. Sempre se deve ter em mira que Jesus deve ocupar o centro da pregação. As Escrituras falam a seu respeito e, portanto, Ele não pode ficar de fora da pregação como às vezes se encontra igualmente fora até mesmo de algumas igrejas (Ap 3:20). Esse é o entendimento. Rogamos a Deus que possa estendê-lo a todos, com vista ao crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, ao qual “seja a glória, tanto agora como no dia eterno” (2 Pe 3:18).

Um comentário:

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