domingo, 22 de fevereiro de 2026

O governo da Mente

 


O GOVERNO DA MENTE:

PENSANDO NO QUE FAZER

Por Izaias Resplandes

A mente humana é o grande campo de batalha onde se decidem as vitórias e derrotas da existência. Antes de qualquer ação externa, ocorre um ensaio interno; antes do passo, há o pensamento. Para nós, que buscamos o conhecimento bíblico, o tema "pensando no que fazer" não é apenas uma questão de planejamento estratégico, mas de sobrevivência espiritual. Entendemos que o pensamento é o mapa que desenha o nosso destino. Biblicamente, o termo para pensamento muitas vezes se confunde com o "coração" (leb no hebraico), indicando que pensamos com o que amamos e avaliamos o mundo através das nossas afeições mais profundas.

Historicamente, a condição humana decaída é descrita como um andar errante, pautado pela desordem mental. Como relata o texto sagrado: "E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gênesis 6:5, JFA). A palavra "imaginação" aqui, no original yetzer, refere-se à estrutura ou forma. Nossos pensamentos eram moldados por uma natureza inclinada ao erro. Não é que deixamos de pensar, mas pensávamos sob uma lógica de vaidade, como reforça Efésios 4:17: "Isto digo e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na vaidade do seu próprio pensamento". O termo grego para vaidade, mataiotes, sugere uma engrenagem que gira sem propósito, um esforço cognitivo que não produz fruto eterno.

A grande mudança na vida do cristão ocorre através da Metanoia. Frequentemente traduzida como arrependimento, seu significado etimológico é "mudança de mente" ou "ir além da mente atual". A conversão não nos silencia a mente; ela a redime. Como instrui o apóstolo Paulo: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente..." (Romanos 12:2). A transformação (metamorphoo) é estrutural. Deixamos de ser governados por pensamentos instintivos e passamos a operar sob a engenharia do Reino. Melhoramos a qualidade dos nossos pensamentos porque o alvo mudou. O pensamento deixou de ser um tirano para se tornar um servo da vontade divina.

Entender o risco dos maus pensamentos é compreender a doutrina das "Fortalezas Mentais". Em 2 Coríntios 10:4-5, lemos: "Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o pensamento à obediência de Cristo". No grego, fortaleza é ochuroma, que significa uma prisão ou castelo fortificado. Um mau pensamento, quando repetido e aceito, torna-se uma muralha que nos impede de ver a realidade de Deus. O risco é a paralisia e a idolatria mental, onde a nossa "verdade pessoal" substitui a Verdade Eterna. A solução é o combate ativo: o ato de "levar cativo" (aichmalotizo), que significa fazer do pensamento um prisioneiro de guerra, submetendo-o ao que Cristo diz.

O que, então, deve ocupar a nossa mente? O filtro de ouro nos é dado em Filipenses 4:8: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai". Destacamos aqui o pensamento de Boa Fama (Euphemos). Ele é a escolha deliberada de focar no que é edificante e virtuoso. Em um mundo viciado no escândalo e no pessimismo, o cristão treina sua mente para ser uma curadora de boas notícias. Nos negócios e na vida jurídica, isso se traduz em buscar a justiça e a dignidade; na família, com Eposa e os filhos, significa nutrir pensamentos que constroem pontes de amor e esperança.

Para as novas gerações, essa blindagem mental é o maior legado. Ensiná-los a "pensar sobre o que pensam" é dar-lhes imunidade contra as sugestões destrutivas do tempo presente. Olhando para os exemplos bíblicos, vemos o contraste: Davi caiu quando permitiu que o pensamento de cobiça fizesse morada; Elias quase sucumbiu quando o pensamento de derrota obscureceu a realidade da providência; mas Jesus venceu o deserto usando a Palavra como escudo para cada sugestão de pensamento invasivo.

Em conclusão, o "pensar no que fazer" deve ser um exercício de Sophronismos, termo que 2 Timóteo 1:7 traduz como moderação ou mente sã. É uma mente salva e disciplinada. A qualidade da nossa caminhada nunca superará a qualidade dos nossos pensamentos. Se ocuparmos a mente com o que é de Deus, a paz que excede todo o entendimento guardará os nossos corações. O pensamento triunfante é aquele que, ao final do dia, pode declarar que está em conformidade com a mente de Cristo. Que esta reflexão sirva como guia para que cada cálculo da nossa alma resulte em glória para o Criador, pois como o homem imagina em seu coração, assim ele é.

Casa do Lago, 22/02/2026



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