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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Testemunho do irmão Manoel Francisco Paulo

Testemunho do irmão Manoel Francisco Paulo feito em uma fita k-7, alguns anos antes da sua morte, a pedido do irmão Arízio de Almeida Branco, que hoje congrega na Igreja de Sorriso-MT.

.... O irmão Manoel Francisco Paulo chegou em Mato grosso em 1946, na cidade de Campo Grande (hoje MS) vindo do estado da Bahia sua terra natal. Ele foi trabalhar no garimpo, na comunidade Fala Verdade, distante de Campo Grande 40 Km.



“Ao chegar na comunidade, vi que ali tinha um grupo de crentes da igreja Presbiteriana. Eles sempre me convidaram para os cultos, mas eu sempre recusava, pois tinha medo dos crentes, tinha más informações dos crentes, por isso não ia. Porém, por insistência deles, eu decidi ir na reunião deles. Chegando lá, começaram os trabalhos lendo Mateus 10: 25 – 30. Quando chegou no versículo 28, eu pude ver que eu tinha que ir a Cristo, tinha que aceitar como meu Senhor. Ao findar o culto, fizeram o apelo. Mas, eu não quis aceitar Jesus como Salvador; parece que alguma coisa me impediu de fazer minha decisão. Então, eu saí do local. Eles me deram o livro do evangelho de Mateus que me acompanhou por muito tempo.
Quando eu saí da comunidade Fala a Verdade, vim para Cuiabá, gastando 15 dias de viagem. Não tinha estrada naquele tempo e a condução era difícil, até que chegamos em Cuiabá. Como não tinha profissão não restou outra coisa a fazer a não ser o garimpo. Fui para um lugar de garimpo chamado Alto Paraguai, conhecido como Gatinho. Trabalhei ali alguns meses, mas não fiz nada no garimpo, as coisas não davam certo para mim. Então eu fui para o seringal. Me falaram que no seringal se podia fazer dinheiro; tirando borracha teria algum resultado. Eu fui pensando que isso era verdade. Chegando lá pude ver que não era para mim a tal da seringa. Voltei novamente para Cuiabá. Chegando em Cuiabá encontrei, na minha pensão, um senhor que morava em Rondonópolis, ele chamava Antônio Borba, era um fazendeiro. Ele estava procurando alguém que entendesse de garimpo para levar para sua fazenda para descobrir um garimpo lá, pois achava que dava garimpo na sua fazenda. Fui com ele para São Lourenço de Fátima num lugar por nome Trivial, e ali fiquei alguns tempos, alguns meses ali. Pude ver que ali não era lugar para garimpo, mas, mesmo assim, ainda peguei alguns “chibiuzinhos” (diamantes pequeninhos) de pouco valor.


Depois disso fui para Rondonópolis, isso já em 1948, onde havia uma grande influência de gente chegando de fora para a lavoura. Descobri, ali em Rondonópolis, um grupo de crentes da igreja Neotestamentária. Fui e me encostei onde eles estavam reunidos. Eu encostei ao lado da porta. Não quis entrar e não quis que ninguém me visse ali. Quando estava terminando a reunião eu fui embora. Depois de 8 dias voltei novamente. Já me deu vontade de entrar. Entrei e me mandaram sentar; me receberam bem. Eu sentei e fui assistir a reunião, quando o pregador começou a ler a mensagem, foi a mesmo trecho (texto) que eu escutei em Campo Grande, em Mateus, mas ele começou no versículo 28 a 30, e fez a explicação, eu pude ver mais ainda que eu precisava aceitar a Jesus Cristo como o meu Salvador. Eu era um que andava cansado sem saber para onde ir quando findasse minha vida aqui nesse mundo. Terminando a mensagem fizeram o apelo e eu fiz a minha decisão ao lado de Cristo, aceitei a Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador. Graças a Deus o Senhor falou comigo outra vez da Sua palavra. E ali, naquela reunião, reuniam apenas 4 famílias onde uma era do senhor José Batista com suas filhas, o qual mais tarde passou a ser meu sogro. Terminou eu namorando a moça mais bonita que tinha na região: Maria das Dores, com quem me casei e me dei muito bem, graças a Deus. Foi uma benção de Deus para mim! Continuei com eles, assistindo os trabalhos.
Em 1949 com um ano que eu tinha aceitado Cristo como meu Salvador, fui batizado.
Em 1950, eu me casei e continuei sempre nos trabalhos com eles.



Nesse tempo, o missionário John (Joao) Daniel Rees, que foi que abriu o trabalho em Rondonópolis, morava em Poxoréo. Quando eu chequei em Rondonópolis, pela primeira vez, ele estava em Poxoréo e depois passou a morar em Rondonópolis. Ele saía sempre fazendo visitas e pregando o Evangelho. Eu fui o seu companheiro de viagem por algum tempo. Andei com ele nos sítios, fazendas e em outros lugares. Depois ele passou a morar em Campo Grande.
Eu fiquei em Rondonópolis com os irmãos em pequeno grupo de crentes. O “povo” pegava sempre no meu pé para eu tomar parte nos trabalhos. Eu, muito acanhado, sem experiência, não queria participar dos trabalhos; até que eu pude ver a necessidade de trabalhar porque eu precisava crescer no conhecimento da Palavra de Deus, e também ganhar experiência do trabalho.
Comecei fazendo visitas nas casas, nas casas dos irmãos depois comecei a sair fora da cidade, andando de bicicleta até 40 km.
Depois passei a andar de ônibus em até certos pontos e indo mais longe um pouco só que não tinha resultado, parece que meu trabalho estava sendo em vão, não havia conversão. Havia algumas pessoas que mostravam interesse, mas não decidiam, e não dava prazer no trabalho que estava fazendo.
 Em 1965 eu resolvi mudar de Rondonópolis para um lugar que não tivesse ainda o Evangelho. Eu queria começar num lugar que não tivesse o Evangelho.  Naquele tempo eu recebia estatística das igrejas evangélicas em todo o Brasil. Naquele livro de estatísticas das igrejas evangélicas do Brasil, olhando os Estados pude ver que o Amazonas era o lugar mais necessitado do Evangelho. Então, pensei em ir ao Amazonas. Falei com a minha esposa. Combinei com ela para nós vendermos a nossa chacrinha. A única coisa que nós tínhamos era essa Chácara. Ficava ali onde hoje é a casa da Matilde e do Altivo. Naquela Chácara foi que  eu criei a minha família: plantando horta e minha esposa vendendo o produto dela, na rua, com meu filho Moisés. Falei com ela para nós vendermos a Chácara para ter dinheiro para chegar em Amazonas. Combinamos vender. Coloquei a Chácara a disposição para venda. Mas, ninguém interessou em comprar a Chácara. Todo mundo vendia propriedades, vendiam casas, vendiam chácaras, vendiam lotes e faziam negócio que precisavam. Porém, eu não achava negócio.
 Passado algum tempo eu descobri, desconfiei que Deus não queria que eu vendesse aquela Chácara. Então falei para minha esposa: “Sabe, parece que não é a vontade de Deus para nós vendermos essa Chácara, vamos esperar por aqui”; e não pensei mais em vender aquela Chácara. Mudei de pensamento, mudei de ideia e fiquei trabalhando por ali mesmo.


Certo dia, chegou em casa uma irmã que havia convertido no começo do trabalho aqui em Rondonópolis. Era a Lola. Ela era uma senhora, professora. Depois que saiu do nosso meio, ela frequentou a Igreja Batista. Mas, ela não deu certo com os Batistas. Ela havia se mudado para um lugar chamado Areia, onde lecionava. O Areia ficava adiante do Vale Rico.
 Ela me disse:
“Irmão, você não gostaria de ir lá no Areia pregar o Evangelho? Tem muitas famílias lá. Tem muita gente e não tem quem pregue o Evangelho naquele lugar. Você não gostaria de ir lá?”. Então falei:
 “Irmã, é um lugar assim que estou procurando. Estou procurando um lugar que precisa de alguém para pregar o Evangelho”.
Ela respondeu:
“Lá tem esse lugar que você está procurando”.
Combinei com ela para ir lá.
Eu disse:
 “Olha, daqui a 15 dias, de hoje a 15 dias, se Deus quiser, estarei lá na sua casa. Você faz os convites as pessoas para o culto a noite que eu estarei na sua casa de hoje a 15 dias”.
Ficamos certos e ela foi embora. Ao completarem os 15 dias, no sábado, tomei um ônibus em Rondonópolis e fui ao Vale Rico. No Vale Rico deixei o ônibus e segui a pé até a casa dela, pois ela havia me dado o endereço da sua casa. Chegando lá na casa dela já mais ou menos às 16 horas, ela havia convidado algumas pessoas para assistir a reunião a noite. Tivemos um culto e ajuntou muita gente, eram umas 20 a 25 pessoas. Fizemos o culto e dois filhos dela fizeram sua decisão, porém, não permaneceram, não seguiram o caminho do Senhor. Entretanto, eu fiquei sempre indo no Areia. Combinei com o povo e levava a Palavra do Senhor.
Acontece que ali, no Areia, com a continuação do tempo, houve bastante conversão. Pudemos ver muitas pessoas que converteram ali e depois mudaram dali. Alguns foram para Cuiabá, outros foram para Rondônia, outros foram para Nova Olímpia e outros foram para Poxoréo. Eu segui visitando os irmãos para onde eles tinham mudado. Continuei fazendo visitas a eles.



O trabalho de Cuiabá, a igreja Neotestamentária de Cuiabá, começou na casa do irmão Antônio Júlio Pinto, que hoje é Presbítero da igreja de Cuiabá. Neste tempo o pai dele era vivo, o finado irmão José Bonifácio, e morava naquele mesmo lugar onde mora até hoje o Pr. Antônio Júlio Pinto.
O trabalho de Nova Olímpia começou na casa do nosso irmão Augusto Ricardo de Oliveira. Começaram no Sítio. Naquele tempo, lá no Sítio, estava ele e seus irmãos Eurípedes e Gustavo. O trabalho começou lá neste sítio. Depois eles mudaram para Nova Olímpia, para a cidade. Lá começaram o trabalho e está lá até hoje.
O trabalho da igreja de Rondônia começou na casa do irmão Pedro Vicente conhecido por Pedroca, esse infelizmente desviou dos caminhos do Senhor.
A igreja de Poxoréo começou na casa do irmão Erasmo Mendes. O irmão Erasmo não veio do Areia. Ele veio da Barão Maia, que fica distante do Vale Rico ao menos 10 a 12 km. Lá eu pude ver que também tinha muita gente. O fazendeiro chamava Barão Maia. Tinha muitas famílias que trabalhavam naquela fazenda. Trabalhavam formando pastos. Lá também converteu muita gente. O irmão Erasmo e a irmã Maria Resplandes converteram ali. Na noite que eles converteram, não sei se converteram, mas 10 pessoas fizeram decisão, entre eles o irmão Erasmo e a irmã Maria. Desses 10 - só eles permaneceram, graças a Deus, e deram bom testemunho da Palavra de Deus.
 Então eu pude ver o motivo pelo qual o Senhor não queria que eu vendesse a minha Chácara e fosse para o Amazonas. Era porque Ele tinha trabalho para eu fazer no Areia, e também na Barão Maia. Com o tempo vamos descobrindo muitas coisas que, no momento que acontece, nós não entendemos. Tanta vontade que eu tinha de ir ao Amazonas pregar o evangelho lá! Mas, o Senhor não quis que eu fosse para lá. Certamente o meu lugar era em Rondonópolis, porque tinha que ir ao Vale Rico levar a Palavra para estes irmãos que aceitaram o evangelho e a graça de Deus, e que até hoje estão firmes.
Assim, irmãos, que nós podemos ter muitas experiências e descobrir também que para trabalhar na obra do Senhor são necessárias três coisas principais:
a)   Fé; b) Fidelidade e c) Coragem.
Se não tiver essas três coisas dificilmente pode dar certo no trabalho.
As primeiras viagens que eu fiz, sempre fazia por conta própria. Eu trabalhava na hortaliça e quando tinha dinheiro suficiente para pagar a passagem de ida e de volta eu ia fazia a viagem. Ia ao Vale Rico e de lá deixava o ônibus que ia para Guiratinga e ia a pé para o Areia. Era assim também nos outros dias que ia a Barão Maia. Chegava no mesmo lugar onde parava o ônibus; eu parava ali e seguia para o Barão Maia, e o ônibus logo seguia para Guiratinga. Onde o ônibus parava era um ponto de lanche e o ônibus parava ali. Os passageiros iam fazer lanche, compravam refrigerantes, outros compravam leite, café, e etc... e eu muitas vezes ficava com vontade de tomar um copo de leite e não podia porque se eu comprasse não teria dinheiro para voltar para casa, então ficava com vontade.  Seguia “pro” Areia ou Barão Maia, com vontade de alguma coisa, mas não podia comprar.
Certa vez aconteceu que chegando no meio da estrada indo para o Barão Maia, ao meio dia, senti necessidade de comer alguma coisa. Estava com fome. Mas, comer o que? Então chequei numa lavoura de arroz. Vi, no meio da lavoura uns pés de milho perto da cerca com uma espiga muito bonita e estava madura. Cheguei na beira da cerca, chamei alguém, mas ninguém atendeu. Então eu me dirigi a este pé de milho e colhi a espiga que ele tinha. Tirei a casca (palha), dei graças a Deus e comi aquela espiga de milho crua do jeito que estava. Que comida deliciosa! fiquei saciado e continuei minha viagem.
 Cheguei na casa do irmão Erasmo às 16 horas mais ou menos. Fiquei três dias na casa dele. Fazia culto na sua própria casa e também fazia visitas e pregava a palavra de Deus aos vizinhos. Ali houve algumas conversões também.
Continuei o trabalho na Barão Maia, indo nas fazendas e outros lugares mais distante, ainda na mesma fazenda, e assim pudemos pregar o evangelho naquela região.
Falando ainda de experiência: um dia fiz uma viagem para Rondônia. Meu dinheiro estava pouco, porém, eu fui assim mesmo. Dizem que a gente tem que viver pela fé, não é mesmo? Fui para Rondônia. Quando foi para eu voltar de Rondônia, a passagem já tinha subido e meu dinheiro não dava para comprar a passagem de Rondônia para Rondonópolis. Mas, tinha um irmão, de outra congregação, que morava em Rondonópolis, e que passou a morar em Rondônia, em Ouro Preto. Aliás, ele não morava em Ouro Preto, ele morava em Ji Paraná, e pedia sempre que fosse a Rondônia para conhecer a casa dele. Nesse dia deu vontade de ir conhecer a casa dele. Como ele pedia que eu fosse e eu tinha o endereço também, fui a casa dele. Faltavam ainda três horas para o ônibus sair da cidade para Cuiabá. Cheguei na casa do irmão às 13h30min horas. A família dele não estava em casa. Estavam no sítio; mas, ele mesmo fez almoço para nós. Almoçamos e ele disse: “Encoste e se deite aí um pouco nessa cama, descanse um pouco”. Eu me deitei, porém não dormi. Ficamos conversando. Depois ele se levantou, entrou no quarto e disse: “Irmão, aqui tenho um cofrinho. Neste pequeno cofre eu ponho as ofertas do Senhor e o dízimo. De mês em mês eu levo a igreja e dou para o trabalho do Senhor. O senhor está trabalhando e eu vou dar aqui uns quebrados, uns trocos para o senhor comprar um refrigerante na estrada”. Aí ele me deu uma nota que justamente era o dinheiro que precisava para chegar em Rondonópolis. Eu tinha pensado em comprar a passagem até Cuiabá, em Cuiabá tomar dinheiro emprestado dos irmãos e acabar de chegar em Rondonópolis, mas não precisou porque aquele irmão me deu o dinheiro que eu precisava. Interessante pensar uma coisa, aquele irmão não sabia da minha necessidade. Quem falou para ele? Certamente o Senhor falou para ele, e ele atendeu a voz do Senhor, e supriu aquilo que eu precisava. Interessante também pensar que aquele irmão não era da igreja Neotestamentária era de outra congregação. Por isso irmãos, não devemos fazer distinção de igrejas, uma vez que é igreja evangélica, prega a salvação em Cristo Jesus, é nosso irmão. O Apóstolo Paulo diz: “Todos vos sois um em Cristo Jesus”. Essa foi uma experiência que eu tive e graças a Deus nunca me faltou nada no trabalho do Senhor. O Senhor de uma forma ou de outra supriu as minhas necessidades.


Outra experiência que eu tive foi um pouco desagradável. Mas, a Bíblia diz que em tudo devemos dar graças. Embora não saibamos o porquê acontece alguma coisa, a Bíblia diz que “Em tudo dai graças”. Nós devemos receber tudo, segundo a vontade de Deus.
Entre Rondonópolis e Cuiabá há um lugar chamado Brilhante, fica adiante de Jaciara uns 15 km. Ali moravam algumas famílias crentes, da igreja Presbiteriana. Era um bocado de goianos que morava naquela fazenda, Fazenda Brilhante. Eles eram crentes. Tinham congregação lá onde eles congregavam. Tinham o trabalho deles. Naquela fazenda tinha também chegado, de fora, algumas famílias, mas era um povo moreno. Acontece que estes irmãos Presbiterianos parecem que eram racistas. Não sei por que eles não ligavam para estas famílias que tinha lá. Não convidavam para assistir os trabalhos e nem tão pouco pregavam o evangelho para eles. Nesse tempo, tinha um irmão nosso que passou a morar lá no Brilhante. Os goianos queriam assistir o trabalho, mas ficavam acanhados porque ninguém os convidava. Então, esse irmão disse: “Olha em Rondonópolis tem um irmão, se vocês convidarem, ele vai vir aqui.  É o irmão Manoel Paulo”. Eles vieram em casa, contaram a história deles para mim e me convidaram para ir lá na Fazenda Brilhante, onde eles estavam moravam para pregar o Evangelho para eles. Eram mais ou menos seis a sete famílias. Eu fui um pouco acanhado porque ali estava a igreja Presbiteriana. Ao chegar lá eu falei com eles, tinha uns irmãos que moravam lá. Fui fazer uma visita ao irmão que se chamava Nestor, o qual depois, morreu acidentado. Eles disseram para mim: “Tudo bem, é mais um irmão que pode nos ajudar aqui nos trabalhos. Seja bem-vindo”.  Então, eu fui à casa deste irmão que veio em Rondonópolis me convidar.


Começamos um trabalho na casa dele, e eu sempre voltava lá em Brilhante. Tomava o ônibus em Rondonópolis, passava Jaciara, adiante de Jaciara uns 15 km, eu descia do ônibus e entrava do lado esquerdo, acho que uns dois km e pouco e chegava na fazenda. Ali doze pessoas se converteram; oito pessoas chegaram a ser batizadas. Eles foram batizados pelo missionário Carlos Ek.... Charles Harrys? Seria esse? Eles o chamavam de Sr. Carlos. Carlos Harrys. Ele era esposo da missionaria Margery. Esse tempo ele estava aqui em Rondonópolis. Eu o convidei para fazer visitas aos irmãos lá e fazer o batizado deles, porque naquele tempo eu não era Presbítero ainda. Ele batizou oito pessoas. Os outros não foram batizados porque ainda não estavam preparados. Passados uns tempos esses irmãos vieram morar em Jaciara. Chegando em Jaciara, o pessoal da cristã do Brasil “deu em cima deles” ensinando as suas doutrinas. Ensinando que tinham que saudar com ósculo santo, que tinham de orar só de joelho, que a mulher tinha que usar véu, e um bando de coisas. Eles implantaram a doutrina deles nesses irmãos que mudaram para Jaciara.



Um dia levei o missionário que mudou para Campo Grande, John (João) Daniel Rees, para visitar os irmãos em Jaciara. Chegando lá eu notei um clima diferente. Não deram atenção para nós, muita pouca atenção deram. Aproximando-se já das 18 horas falamos em fazer convites para o culto a noite e eles ficaram por ali, com pouca vontade, um clima muito triste, muito difícil, desagradável. Procurei o irmão Nozinho, que era como se chamava o dono dessa casa onde nós chegamos. Perguntei: “Irmão Nozinho, o que acontece com os irmãos? Estou notando uma diferença entre vocês. Aí ele foi franco em dizer: “irmão Manoel Paulo nós agradecemos muito você ter ido no Brilhante, pregou o evangelho pra nós e aceitamos Cristo como nosso Salvador. Mas, uma coisa o irmão não fez”. E eu disse: “O que foi que eu não fiz, e precisava fazer e não fiz?”. Ele disse: “Foi nos ensinar o que nos ensina as Escrituras. O irmão não ensinou que tinha que saudar com ósculo santo, não ensinou que tinha de orar de joelho, não ensinou que as mulheres tinham que usar o véu, e os da Cristã do Brasil vieram aqui e ensinaram essas coisas para nós. Estamos seguindo tudo como ensina a Bíblia”. O missionário John (João) Daniel Rees conversou um pouco com eles, ensinou um pouco da Bíblia a respeito destas coisas, e por fim ele disse o seguinte: “Se vocês escolheram estar com o povo da Cristã do Brasil tudo bem, vocês  tem a vontade livre”. Aí deu apoio para eles, e ficou por isso mesmo. Desta maneira que ali nós perdemos 12 irmãos que deveriam estar na luta conosco. Devíamos ter um trabalho em Jaciara, mas, infelizmente houve essa tragédia, uma experiência muito desagradável, mas está incluída nas experiências.

As experiências que eu tive com os irmãos da igreja Cristã do Brasil, sempre foram desagradáveis, sempre perseguiram o meu trabalho. Muitas vezes tivemos contendas. Muitas vezes ficamos horas estudando a Palavra e discutimos. Não se pode discutir a palavra de Deus é uma coisa que é errada, mas isso chegou a acontecer. Por fim, eles levaram estes 12 irmãos. O mais triste é que esses irmãos que eles levaram não permaneceram com eles e nem voltaram para nós. Foram 12 irmãos que foram para o mundo. Não permaneceram no evangelho. Até hoje, quando vou a Nova Olímpia, às vezes, eu vejo ali uma senhorita, uma mulher que hoje é uma mulher da vida e que foi uma das que eles levaram consigo. Ela não firmou na igreja. Foi para mundo. Uma experiência muito triste.


Sempre quando nós pregávamos o evangelho em um lugar, em uma casa, eles propositalmente iam lá desfazer o que nós procurávamos deixar com os irmãos. Sempre procuravam contradizer as palavras de Deus, pregando suas doutrinas erradas.
 Assim, irmãos, que há muitas experiências gostosas que causam alegria, mas muitas outras que são tristonhas que causam tristeza, que causam até lágrimas. Mas, é como diz a Palavra de Deus, um versículo que gostaria de deixar com os irmãos que se acha em Salmos126:6.... apesar de passar por lutas e dificuldades, mas também hoje me alegro de ver alguns molhos, de ver alguns irmãos que aceitaram a palavra de Deus e estão firmes no Senhor, anunciando a Palavra de Deus para as pessoas que ainda não aceitaram Cristo como Senhor e Salvador. Que o Senhor possa conservar esses irmãos fielmente na Sua obra fazendo a Vontade de Deus, e guiando as pessoas no Caminho da Salvação.
Com 71 anos é isso que tenho a dizer na experiência que tive no trabalho do Evangelho.
Que Deus nos abençoe.

 

Ivon Pereira da Silva e sua amada esposa
Joneide Montezuma
Presbítero da Igreja do Bosque da Saúde
 e da Igreja Jardim Vila Rica
Várzea Grande - MT



quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Testemunho de Hermes Barros



“Acaso o nosso coração não ardia pelo caminho, quando ele nos falava e nos abria as Escrituras?”

Vivemos um momento na história em que a “religião” tem falado muito, tem gritado inclusive, em nome de Deus, e esse grito não atinge o coração.

Entretanto, quando o Criador fala é impossível não arder o coração. Sua voz é inconfundível, sua Palavra produz transformação.

Cresci em lar cristão com problemas que talvez muitos lares enfrentam. Existe uma árdua tarefa, a de alinhar ensinamento a partir das práticas, e se houver incoerência infelizmente isso pode apresentar como um ensino. Para nós a assimilação da vivência do evangelho está muito ligada à exemplificação.
Com a idade, fui crescendo e os questionamentos na alma também:
- Por que muitas vezes a Palavra precisa ser poderosa no outro, porém nunca em mim? - Por que em momentos cruciais em que esperávamos uma “solução” do céu e no momento oportuno experimentamos apenas manifestações das obras da carne?
Isso sempre deixou minha alma amarga e angustiada, sempre fui aterrorizado com pensamentos!
Mas Deus tem planos lindos para nossas vidas.
Penso que para muitos de nós, “evangélicos” de berços, crescemos com deformações na fé. Sabemos também que esse é o plano do inimigo. Imagino que isso pode gerar pessoas com alienação, pessoas que negam o poder de Deus ou até mesmo chegar a um ceticismo completo.
Mas Deus tem nos acompanhado a todo momento em nossas vidas.
Com 15 (quinze) anos de idade fui acometido por um câncer, naquela época (1995) o tratamento era muito agressivo, o estágio da doença já estava bem avançado.
No dia que soube do diagnóstico tive um gelo dos pés até na cabeça, por um momento senti meu corpo flutuar. Não foi fácil, mas tentei não preocupar com aquilo, até porque não sabia muita coisa mas tudo o que eu sabia era que essa doença matava.
O tratamento subjugou minha alma, em meio a tantas coisas pude experimentar momentos de paz.
Era tão sofrido que durante todo o tratamento não havia um dia que eu não sentisse dor e agonia. Em pé, sentado ou deitado nada estava bom. Até ao ponto de em uma noite pensar que se por ventura eu chegasse a morrer não teria mais um dia dor.
Relacionamento com Deus é pessoal, meus irmãos, e é uma construção.
“A mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar; nem o seu ouvido está surdo, para que não possa ouvir.” Isaias 59:1
Comecei a ler o novo testamento, aquele doado pelos gideões, comecei a devora-lo. Fiz muitas anotações e de tanto ler, precisou fazer uma nova capa.
Lembro-me do primeiro texto que falou a meu coração - Lucas 24, os discípulos no caminho de Emaús - como esse texto mexeu comigo! Fiquei muito feliz naquela tarde.
Comecei até a escrever com giz em algumas paredes de casa os versículos que falavam comigo.
Deus nos fala através de sua Palavra que é viva e produz vida.
Durante aquele tempo Deus foi falando em meu coração. Deus trabalhou em minha vida. Deus é muito bom, foi uma experiência que mudou muita coisa em minha mente e comportamento.
Graças a Deus que nos dá a vitória em Cristo. Foram muitas orações. Muitas demonstrações de amor. O tratamento foi ruim porém fiquei curado completamente do câncer! Tudo é a Graça de Deus!
Ficaram sequelas que não me deixam esquecer que Deus é bom e que está sempre no controle cuidando de cada um de nós.
As vezes vejo pessoas que estão acometidas por doenças, correm de um lado para o outro, confiam na fé de um aqui, de outro ali, Parece que o objetivo é só ficar curado e pronto.
Penso que precisamos saber o que Deus quer falar aos nossos corações, o que Ele pode nos ensinar diante das circunstâncias, que vai muito além das coisas terrenas, porque curados estaremos quando estivermos onde não há mais choro, dor e nem tristezas. Ai sim estaremos CURADOS.
Precisamos gastar tempo com nossos irmãos, daqui nada se leva.
E gosto de lembrar que a Vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. Quem poderia tem melhores planos para nós?
Depois de estar curado cometi alguns equívocos, escolhas erradas que sempre foram norteadas pela satisfação dos desejos.
Jovens, nunca escolham esse caminho. A estrada é curta, os prejuízos virão com você, tristeza, frustração, vergonha e feridas que precisarão ser tratadas com o tempo, serão noites que vocês se sentirão tão solitários como aquele filho pródigo em terras estranhas.
E quando fizer oração pedindo ajuda e transformação saibas que não existe outro método de reconstrução sem antes o vaso ser quebrado, para que Ele faça Tudo novo, isso dói! Não tem outro jeito!
Hoje estou casado, uma esposa idônea, paciente, que veio me equilibrar, graças a Deus por ela existir em minha vida, creio que o inimigo não ficou feliz com nossa união.
Hoje caminhamos na Graça de nosso Senhor Jesus Cristo, confiando em seu amor, pois Ele nos faz novas criaturas, Ele faz tudo novo, Ele desfaz as obras do enganador.
E o mais importante Ele nos perdoa de toda culpa, e dela não se lembra mais, a escrita de dívida foi cravada na Cruz. Está lá porque Ele pagou por mim.
Sou muito grato a Deus pela minha família, meus irmãos, meu pai que sempre muito trabalhador fez de seu trabalho sua “religião”, minha mãe que com amor e força sempre cuidou de mim.
Sou grato a Deus pelos irmãos na fé, amigos e parentes.
Que Deus abençoe nossas vidas enchendo nossos corações de Alegria, a mesma que invadiu o coração dos discípulos no caminho de Emaús.
Que sua presença seja real, que nada nos atrapalhe de vê-lo, afinal Ele está em nós através do Espírito Santo.
Que nossa Fé seja viva, demonstrando o amor de Deus, e que possamos entender o privilégio de sermos participantes da GRAÇA de Deus.
Essa é meu desejo, essa é minha oração.
A Ele seja Louvor, Honra e Glória.

HERMES BARROS

“Rendei graças ao Senhor, pois Ele é bom, e seu amor dura para sempre”
Salmos 136:1








segunda-feira, 11 de abril de 2016

Uma ovelha reencontra o seu “pastor”

Certa vez, ao término de uma reunião, perguntaram a      D.L. Moody:" Quantas pessoas se converteram? Ele respondeu: "Duas e meia". A pessoa tornou a perguntar: "Como assim? Dois adultos e uma criança?"

O pregador respondeu:

 "Não, duas crianças e um adulto. Quem ganha uma criança para Cristo, ganha uma vida inteira para servi-lo".

Uma ovelha reencontra o seu “pastor” depois de 30 anos.

"Eu era uma criança infeliz, sem pai, com um avô bêbado em casa que brigava todos os dias com minha mãe, que não me amava e que era pai e mãe; Ah amados, quando ouvi falar de Jesus, meu coraçãozinho transbordou de alegria, ao saber que o Deus criador do universo se importava comigo, e que fez muito mais por mim do que qualquer um poderia fazer ao enviar seu único filho pra morrer em meu lugar! Eu não consegui dormir aquela noite de tanta felicidade! Como vale à pena ministrar para as crianças, como vale a pena valorizar o nosso chamado.... Falo isso em lágrimas....
O tio Gilson juntamente com sua equipe foram os que me ganharam pra Jesus quando  eu tinha 11 anos de idade! Foi a primeira vez que eu ouvi falar de Jesus, e foi tão bom que todas as vezes que ele perguntava quem quer aceitar Jesus eu levantava a mãozinha. E ele com muita paciência explicava pela décima vez:  “Não, você já o aceitou, ele já está morando em seu coração”. Eu sou fruto desse pastor de criança tremendamente usado por Deus. Com treze anos levantei a mão para fazer a obra no ministério infantil
Eu aceitei Jesus na Igreja Neo Testamentária da Vila Kellen, Campo Grande,MS, mas como ficava longe de casa não pude permanecer ali! Uma vez escrevi ainda na adolescência uma carta agradecendo à Deus pela vida dele e de sua esposa! Ela entregava os versículos para decorarmos e servia o lanche. Eles tinham uma Kombi velha, e iam nos campinhos de futebol, e nas casas chamar as crianças para a programação. Eles não falavam apenas com as crianças, eles visitavam os nossos pais, nossas famílias também. Até hoje falo deles quando o assunto é missão. Eles foram muito importantes na minha vida. Deus os usou poderosamente para ganhar eu e meus irmãos pra JESUS.
Gostaria muito de revê-los! 
Sou pastora de crianças à 27 anos para honra e glória do Senhor. Sou fruto de pastores de crianças que se dispuseram a fazer a obra com amor e dedicação. Meu esposo é pastor da Igreja Resgate e Restauração. Tenho um filho de 11 anos.
Hoje tenho 41 anos.  Há 30 anos sirvo ao Senhor. Sou fruto de pastores de crianças que se dispuseram a fazer a obra com amor e dedicação. Tenho certeza que todos nós que pastoreamos as crianças estamos marcando a infância de alguém, assim como esse pastor e sua esposa marcaram a minha". Ariane Kelly de Souza




A missionária Rosangela Lins Almeida no último Chá da Amizade, dia 09 de abril, na Igreja da Planalto, em Campo Grande, MS, promoveu este encontro entre a ovelha e seu “pastor”: Ariane Kelly de Souza e  Gilson Jorge. Nesta foto temos ainda a irmã Márcia Paelo Jorge, Pr. Nilton da Costa Benites (esposo da Ariane) e o filho deles: Estevão. 
A irmã Márcia Paelo Jorge contando para Ariane que havia reencontrado a irmã dela e que esta perguntara pelo "pastor" Gilson. Então lhe disse: Ele não é pastor", ao que a jovem replicou: "Como assim? Vocês nos ensinaram que pastor é o que cuida, que alimenta as ovelhas e foi isso que ele fez conosco. Então, ele é sim pastor". Que  testemunho encorajador!
O Chá da Amizade é promovido pela Igreja Neotestamentária da Vila Planalto em Campo Grande,MS todo o segundo  sábado do mês, as 18:30 horas.

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Muito Obrigado, Senhor!

MUITO OBRIGADO, SENHOR!
Prof. Izaias Resplandes de Sousa
Estamos muito agradecidos a Deus por tudo o que nos têm acontecido nos últimos anos. Lourdes e eu nos casamos em 19 de janeiro de 1985. Fizemos 29 anos de casados este anos. Ano que vem estaremos comemorando nossas Bodas de Pérola. Muita coisa aconteceu conosco nestes anos. Nós vivíamos em Goiânia, onde nos casamos e enfrentamos muitas dificuldades, o que nos fez tomar a decisão de voltar para Poxoréu, onde eu vivera alguns anos, quando solteiro e onde já morava minha mãe.
Me lembro que nós chegamos em Poxoréu no ano de 1986 com uma mala de roupas e muita esperança de que as coisas iriam ser melhores para nós aqui nesta cidade.
Lourdes Resplandes, com seu neto Davi Nascimento Resplandes
Lourdes estava grávida de Fernando. Ele nasceu mais ou menos uma semana depois que chegamos aqui. Eu tinha uma promessa de emprego na Prefeitura da cidade e que deu certo. Depois da vitória do emprego, veio a vitória do atendimento médico para Lourdes ganhar o bebê. Conseguimos ser atendidos no Hospital pelo INPS e ela teve um parto feliz, graças a Deus. Me recordo que na madrugada de 21 de março de 1986, quando Lourdes começou a passar mal, eu pedi a ela que se esforçasse para segurar até amanhecer o dia, porque a consulta no hospital à noite era mais cara. E depois, expliquei-lhe, a tia Dionízia estava lá na casa de minha mãe naquela noite, onde nós também estávamos ficando até que arrumássemos um lugar para nós. E tia Dionízia tinha experiência com partos, pois já tiveram muitos filhos. E tinha também minha mãe e eu. E depois, se não tivesse outro jeito, nós correríamos para o Hospital. O fusquinha verde de seu Erasmo estava lá à nossa disposição. Mas graças a Deus, Lourdes conseguiu esperar até o dia amanhecer e então fomos para o hospital. Fernando nasceu de manhã.
O casal Mariana e Fernando Resplandes
Depois vieram Mariza e Ricardo. Nossos filhos são nossos amores mais caros. São os presentes mais preciosos que nós já recebemos de Deus. Eles somente nos têm dado alegrias e quantas! Não sei se conseguiria lembrar de todas.
Fernando, Ricardo, Maria de Lourdes e Mariza Resplandes
Todos passaram por cirurgias. Fernando, de fimose. Mariza, de uma hérnia. E Ricardo, a mais delicada, para retirar um angioma cavernoso localizado na cabeça. Eles são garotos corajosos. Enfrentaram o bisturi sem medo, acreditando que tudo ia dar certo. Principalmente no caso do Ricardo. Ele somente foi operado porque decidiu que queria isso. Só autorizei a cirurgia porque meu caçula era um rapaz de coragem e confiava em Deus muito mais do que eu.
E todas as cirurgias deram certo. E eles estão saudáveis e lutando para cumprir a missão de homens que têm pela frente.
Desde cedo tomei a decisão de que estudaria o que fosse possível para mostrar aos meus filhos que se eu podia eles também poderiam. Me formei em Pedagogia, Matemática e Direito. Fiz duas especializações. Me tornei advogado. Fui funcionário municipal e hoje sou professor estadual com carga de sessenta horas semanais.
Meus filhos também vêm seguindo pela vida de vitória em vitória. Fernando se formou em Farmácia e Bioquímica em 2007 e sua esposa Mariana também se forma em Farmácia daqui há alguns dias. Trabalham no ramo farmacêutico em Goiânia. E além dessas alegrias, eles nos deram outra muito grande. Nos deram o Davi Nascimento Resplandes, nosso primeiro netinho. Como é gratificante ser avô.
Davi Nascimento Resplandes
Davi tem nos ensinado como ser pais melhores para nossos. É muito bom estar com ele. Espero que os meus meninos estejam gostando do aprendizado com Mestre Davi. Ele tem modificado Lourdes e eu. E espero que também os meus filhos estejam mudando com suas lições de carinho, de amor, de criancice, de meiguice, lições de Davi.
Depois de Fernando, Mariza também se formou. Ela fez Direito. Depois se habilitou na OAB/MT. É advogada. E só não exerce a profissão por ser servidora do Cartório do Primeiro Ofício de Poxoréu, onde é Oficiala Substituta. Ela também vem lutando para se aperfeiçoar e ingressar em definitivo no mercado de trabalho. Está com sua primeira especialização em fase de elaboração de monografia, na área do Direito Ambiental pela UFMT.
E agora por último vem o nosso caçula Ricardo, que também passa a régua e fecha a conta, formando-se em Farmácia, obtendo o título de Farmacêutico Generalista. Segundo o Prof. Antônio Carlos Messias Pereira, Ricardo é o nosso ovo indez e que nós não conseguimos soltar. Mas não é assim. Nós sabemos que embora chamemos os nossos filhos de nossos filhos, na verdade, eles não são nossos. Eles são de Deus e têm cada um sua missão de vida. E nós não vamos segurá-los mais do que o necessário. É claro que gostaríamos de vê-los ao nosso redor. Mas sabemos que nós somos limitados e que eles têm que seguir o curso de suas próprias vidas. Nosso esforço até aqui foi no sentido de dar o nosso apoio para que eles ganhem a estrada na hora que decidirem, como aconteceu com Fernando, nosso mais velho.
Sabemos que eles vão um dia. Não temos pressa e nem apressamos as coisas. Sabemos que existe tempo para todo propósito debaixo do céu. E o tempo deles partirem para cuidar de suas vidas vai chegar. E a nossa alegria e motivo para nós darmos graças a Deus está em sabermos que eles estão preparados para enfrentar os novos desafios que terão pela frente. Hoje eles são adultos, estão mais amadurecidos, sabem o que significa ter responsabilidade. Aprenderam as lições de casa muito bem e também as lições da escola e da vida. Não temos dúvidas de que eles estão preparados. Graças a Deus, acreditamos nisso de verdade.
E é por essas e outras razões que no momento nos passam desapercebidas que estamos aqui para agradecer ao nosso Deus pela nossa vida e pela vida de nossos filhos, nossa nora e nosso neto. Mas não somente por eles. Queremos agradecer a Deus pelas famílias de nossos irmãos de sangue e de fé, pelas famílias de nossos tios e de nossos irmãos de fé. Porque Deus não têm apenas abençoado a Família Izaias Resplandes de Sousa, mas sim, tanto a Família Resplandes como a Família Sousa como um todo. Por todo lado nos chegam as notícias dos filhos de nossos familiares que se formaram, que passaram em um concurso, que estão se dando muito bem na vida. E por isso tudo que estamos aqui hoje dando graças.
Eu conheci o evangelho em 1977, ainda que naquela época tivesse pouco entendimento e fizesse muita confusão com as coisas. Já são 37 anos de conhecimento de Deus Pai, do Deus Filho e do Deus Espírito Santo. Ao longo desse período eu aprendi muitas coisas importantes Eu aprendi a verdade sobre Jesus, a verdade sobre Deus, a verdade sobre o Espírito Santo. Eu descobri o que significa nascer de novo, quando passei por essa experiência depois de muitos anos na Igreja. Foi em 1994, mês de agosto, quando então nos rendemos totalmente ao senhorio de Cristo e aprendemos que todas as coisas que conseguimos são presentes de Deus e não obra de nossos próprios esforços como pense durante tanto tempo. E agora, sim, já são quase 20 anos de nova vida com Cristo, vivendo experiências felizes como a que tivemos hoje, de um dia todo juntos em família, comungando da alegria de ser família.
Todavia, dentre todas as coisas que aprendemos, uma delas está acima das demais. É a gratidão. A Santíssima Trindade espera que todos nós aprendamos a ser bem-agradecidos a ela por cada bênção recebida. Dentre todas as passagens bíblicas que nos ensinam essa virtude, me sobressalta aos olhos a história dos dez leprosos que foram curados, registrada em Lucas 17:11-19.
Assim diz o texto sagrado:
E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia;
E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe;
E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.
E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.
E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz;
E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano.
E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?
Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?
E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.
Sinceramente, irmãos. Eu não gostaria de saber que Jesus perguntou a alguém por mim nesse sentido. Deve ser muito uma fala muito difícil de se ouvir. E é por isso que tenho mostrado principalmente aos meus filhos, através dos tantos exemplos de vida que tenho registrado em O Noticiário Evangélico, no Blog da Igreja, em nosso próprio blog, nas pregações na Igreja e em nossas conversas quotidianas, que devemos ter olhos, ouvidos e mentes dispostas para ver, ouvir e entender o que nos acontece ao redor. Quantas lições recebemos a toda hora e quantas nós não ignoramos.
Meus queridos, obrigado a cada um de vocês por fazerem parte de nossas vidas. Obrigado pelos momentos felizes e também pelos momentos tristes que passamos juntos. Porque a verdade é que nós somos unha e carne uns com os outros. Nós até falamos de nós mesmo entre nós, mas não aceitamos que ninguém mais meta a boca para falar de nós. Na hora de nos defendermos nós somos um povo, nós somos uma família, nós somos uma só pessoa. Se falar de um, está falando de todos. E assim somos todos nós. E eu quero agradecer a cada um de vocês por isso.
Que o Senhor não permita que nós aqui nos esqueçamos de vocês e do que representam para nós. Quantas coisas eu tenho aprendido com meus irmãos que mudaram minha vida. E não quero esquecer de nada. Que elas fiquem gravadas em minha mente e nas mentes de meus familiares nucleares como gravações na rocha que nunca venham ser esquecidas.
Que o Senhor nos abençoe a todos!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

SOMBRA DO ONIPOTENTE

Salmo 91:1-4
1 "AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. 2 Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. 3 Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. 4 Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel".

Salmos 23: "O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. 4 Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam".

Is 9:2 "O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz".

Dias 10 a 21 de março minha esposa e eu estivemos em Foz do Iguaçu, Pr. Dia 25 de março viajamos novamente. Ela foi para Três Lagoas e eu segui para Araçatuba. No caminho comecei a ficar com febre. Ao chegar tomei um chá quente e fiquei de cama até o dia 28. Voltei a Três Lagoas para encontrar com Rosangela que estava dando um curso. Já não consegui dirigir de Araçatuba a Três Lagoas. Dirigiu o meu carro a irmã Cleusa Inácio, da igreja de Araçatuba. Ela e a irmão Roseli me deixaram em Três Lagoas. De lá a Rosangela veio dirigindo até Campo Grande – MS. Até aí a minha enfermidade era uma “virose”, pra que procurar médico? Fiquei em casa até o dia 31 de março. Nesse dia, à tarde, minha esposa me levou para a Clínica Campo Grande. Eu senti que iria ficar internado e realmente fiquei até o dia 3 de abril, domingo. No primeiro dia na clínica hospital confirmou-se que era dengue hemorrágica. O número de plaquetas estava abaixo de 27 mil ( o mínimo deve ser 140 mil). O médico disse: " seu pulmão está com água, seu baço e seu fígado foram afetados, sua pressão, em função de tudo isso, está alta. O Senhor contraiu o mais grave tipo de dengue, a hemorrágica". Ouvi, mas estava tão mal, que creio que não prestei a devida atenção. Na verdade, não entendi a gravidade do assunto. Minha esposa sim, ela ficou muito preocupada. Mas, achando que eu sabia da gravidade, não fez nenhum comentário.

Tem um Salmo que gosto muito que é o 4:4 “Irai-vos, e não pequeis; consultai no travesseiro o vosso coração e sossegai”. Lembrei-me que já havia passado por duas situações de risco de vida. Agora, ao consultar o travesseiro me veio mais esta. Como é bom o crente memorizar versículos! Na hora que você precisa, eles aparecem como uma lâmpada na sua cabeça (acendem). Vários versículos foram surgindo na minha mente e dentre eles os já citados. Na Clínica pedi ao Senhor mais uma chance de continuar a viver porque sabia que ainda haviam coisas que precisavam ser arrumadas, principalmente um substituto para o Escritório da Missão. Os irmãos oraram, as igrejas intercederam. Os presbíteros Nanao Yamamoto e Délcio Vesenick me ungiram. Agradeço a todos os irmãos do Amazonas ao Chuí que clamaram a meu favor. Meu MUITO OBRIGADO!


Não me considero totalmente curado ainda. Todos sabem que gosto muito de café, e não estou sentindo o gosto dele. O café não está gostoso como antes. Sinto ainda muita fraqueza.

Na viagem a Foz do Iguaçu no dia 10 de março eu ajudei fazer a mudança do meu filho Luiz Roberto para um apartamento no 4º andar juntamente com meus companheiros de obra missionária. Sentia muita força, disposição. Carregamos geladeira, cama, fogão. Estava me sentindo muito forte. Hoje essa força foi-se. Justamente por questão de saúde meu filho Israel já estava pagando uma academia com um professor para me acompanhar. Eu estava me sentindo muito bem. Acho que só vou voltar para academia no final de abril.

Voltando aos versículos, sei que há pessoas que preferem ficar à sombra da morte. Não querem ficar à sombra do Onipotente, não querem que o sangue de Jesus Cristo limpe seus pecados, continuam pecando. Em Isaias 25:4, diz: “Porque foste a fortaleza do pobre, e a fortaleza do necessitado, na sua angústia; refúgio contra a tempestade, e sombra contra o calor...” Que maravilha é o nosso Senhor Deus.

Em Jeremias 13:16 temos: “Dai glória ao SENHOR vosso Deus, antes que venha a escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte, e a reduza à escuridão”.

Querido amigo não deixe a sombra de morte alcançar sem que você não tenha entregado sua vida a Jesus Cristo com Senhor e Salvador.

Você, que já é salvo, sabe que morte para aquele que é de Cristo é incomparavelmente melhor. Jeremias 36:7-9: “Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas (as asas do onipotente); 8 Eles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás beber da corrente das tuas delícias; 9 Porque em ti está o manancial da vida; na tua luz veremos a luz.

Salmos 107: 10,14 “Tal como a que se assenta nas trevas e sombra da morte, presa em aflição e em ferro; Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões.

A Deus toda Glória, Honra e Louvor porque ter me livrado!

Meu desejo que vocês também possam se deitar na rede ou sentar-se na sua cadeira predileta, pegar sua Bíblia e usufruir da gostosa SOMBRA DO ONIPOPOTENTE.

Isaias da Silva Almeida