domingo, 18 de julho de 2021

A praticidade da Bíblia no dia a dia

A praticidade da Bíblia no dia a dia


Izaias Resplandes de Sousa



A Bíblia é o livro mais lido e vendido do mundo. Segundo a Sociedade Bíblica do Brasil, ela foi traduzida para quase 3 mil idiomas e ocupa o primeiro lugar do ranking há mais de 50 anos. O jornal O Estadão registra que 3,9 bilhões de exemplares já foram vendidos. Isso é fantástico! Mas, o que as pessoas buscam na leitura da Bíblia?

Eu diria que no topo das respostas estaria a busca pela libertação de alguma forma de opressão. Uma pesquisa que fiz na internet nos fala um pouco sobre a opressão, dizendo:

Oprimir significa exercer pressão sobre algo ou alguém, com o intuito de reduzir. Oprimir socialmente é fazer a pessoa se sentir pequena, ou nada, que nenhuma atitude que ela tome vai mudar seu status social ou sua vida. Oprimir é uma forma de se impor através da força ou da violência, uma forma de ação autoritária.

A palavra opressão vem do latim "oppressio", que significa esmagamento e aperto. É formada por "ob", que significa contra, e "premere", que significa "apertar, comprimir e empurrar contra". Quem é oprimido tem a sensação desagradável de ser apertado contra algo, sem a possibilidade de escapar.

Um indivíduo oprimido é aquele que foi dominado de maneira violenta ou com agressividade, brutalidade e tirania. O ato de oprimir está relacionado com regimes de ditadura, onde a população que não segue as normas do governo são pressionadas, torturadas, virando alvos de tormento.

Um exemplo de opressão social é o racismo e qualquer tipo de preconceito de cor da pele, religião, sexo, e etc. A opressão social faz com que os cidadãos se sintam “esmagados”, sufocados, não conseguem ser eles mesmos, e muitas vezes se veem obrigados a agir de uma maneira que não é normal para eles.

Jesus disse:

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. E ainda: Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres (Jo 8:32, 36). E também disse em sua oração ao Pai: a tua palavra é a verdade (Jo 17:17).

Creio que esses textos deixam claro que a finalidade da Bíblia é a libertação do homem. E isso, não apenas no plano espiritual, mas, principalmente, no plano material.

E é nessa libertação material que quero enfocar, haja vista que a libertação espiritual, que trata da libertação do pecado para se receber a vida eterna já é um ponto que está bastante claro. E, é evidente que, em última instância, a libertação espiritual é, de fato, a libertação mais importante. Se queremos a vida eterna, então, para tê-la, precisamos nos libertar do pecado. No entanto, a vida eterna seria o último ato de nossa existência. E a Bíblia não foi escrita apenas para esse momento futuro, mas para todos os momentos que vivermos desde o nosso nascimento até a nossa morte, que será a passagem para a eternidade.

Todas as fases da nossa vida são importante: o nascimento, a criancice, a adolescência, a juventude, a adultícia, a velhice e o pós-mortem. E a Bíblia foi escrita para a promoção de nossa liberdade em todas essas etapas de nossa existência, mas principalmente, das fases terrenas. E é assim, porque, quando chegarmos à eternidade, não precisaremos mais da Bíblia, porque além de já estarmos libertos de todas as coisas ruins, também já seremos perfeitos. A Bíblia não é para resolver perfeições. Pelo contrário, ela é para resolver imperfeições.

Assim diz o texto sagrado: E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas (Ap 21:4). E também: Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos (1 Jo 3:2). E mais: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento (Mc 2:17).

As palavras do livro servem para nos ajudar a ajustar as nossas imperfeições.

A Bíblia diz que o homem é mau. Mas, mesmo sendo maus e mesmo sem nos orientarmos pelas Escrituras, podemos fazer coisas boas. No entanto, a tendência é de que, apesar de termos sido criados para fazer coisas boas, costumamos fazer coisas ruins, tanto para nós, como para os outros. E por isso Deus nos deixou a Bíblia, com o objetivo de nos preparar para a direção certa.

Assim diz a Bíblia: Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos... (Lc 11:13). Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice (Gn 8:21). E também: Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra (2 Tm 3:16-17).

A partir dessa constatação de que a Bíblia é um livro de orientações para fazermos boas obras, tanto para nós, quanto para os outros, costumo dizer que ela atende a todos e não somente aos predestinados para o reino de Deus. Seguindo as orientações da Bíblia nós poderemos viver e paz com todos, evitando os milhares de problemas que surgem no dia a dia. Ela é o livro que nos orienta para a paz em todas as áreas. E, como não temos tempo disponível para ver tudo, vamos ver um exemplo de sua aplicação em uma das áreas mais importantes de todas, a alimentação.

A Bíblia nos ensina sobre o que fazer para que sempre tenhamos o que comer, embora haja quem entenda que o homem não precisa se preocupar com isso, porque Deus sempre vai cuidar de nós. Entendemos que não é bem assim, embora às vezes Ele faça isso. Vejamos o que o homem deve fazer:

1) Deve trabalhar para ter o seu sustento. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra (Gn 3:19).

2) Deve guardar uma parte do que produzir para os dias em que estiver impedido. As formigas não são um povo forte; todavia no verão preparam a sua comida (Pv 30:25).

3) Deve aprender a olhar e analisar os sinais dos tempos para não ser pego de surpresa. Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão (Mt 24:32).

4) Deve ter paciência e esperar a chegada dos frutos. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia (Tg 5:7).

5) Deve evitar o desperdício. E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca (Jo 6:12).

6) Deve compartilhar uma parte do que produziu com outros. Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos (Lc 16:9).

Além desses textos, há muitos outros. Quando a Bíblia diz para não ficarmos desesperados por causa de comida, pois Deus cuidará de nós, ela define a consequência natural daqueles que seguem as orientações da Palavra e não daqueles que encruzam os braços e não fazem nada. Pois a estes, o que a Bíblia diz é que a necessidade e a pobreza lhes espera. Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? (Mt 6:25). Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco a dormir, um pouco a tosquenejar; um pouco a repousar de braços cruzados; Assim sobrevirá a tua pobreza como o meliante, e a tua necessidade como um homem armado (Pv 6:9-11).

Ao concluir, queremos dizer que o fato de aplicarmos com prioridade a Bíblia em nossa vida material não significa um menosprezo à vida espiritual. É de lembrar que a vida terrena é uma sombra da vida espiritual, ou seja, embora a espiritual seja muito melhor, ela guarda muita semelhança com a vida terrena. Ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras (Cl 2:16-17).

Que Deus nos abençoe!


domingo, 4 de abril de 2021

Relatório Missionário, Barreirinha-Am

 No dia 03 deste mês, estivemos realizando uma visita missionária à família do irmão Alcimar, que reside na comunidade de São Pedro do Andirá, município de Barreirinha-AM a uma hora de viagem de lancha 40hp, distante de Barreirinha. Este lugar está se estabelecendo um novo trabalho Neotestamentário.

Tivemos reunião para estudo e orientações, pela manhã e a tarde. Às 16:00h nos reunimos às margens do rio Andirá, para o batismo do irmão Arleson Pereira Tavares(26), e após o batismo,retornamos à Barreirinha. 





Batismo



Estes irmãos, apesar de serem novos na fé, têm tido um excelente desenvolvimento em suas vidas espirituais.

É desejo dos irmãos construírem um pequeno local para reunirem-se e receberem novas pessoas que estão visitando-os, mas não têm as condições financeiras suficientes para este projeto, que esta estimado no valor de R$2.000,00. Aproveitando esta ocasião, gostaria de pedir a ajuda de vós que podem nós ajudar financeiramente, através da conta bancária Banco do Brasil  ou pix. Agência:0333-6, C/C:19949-4 , Pix: 92992855846, nome de Joab Nogueira de Oliveira. 

Desde já, agradecemos a todos que puderem nos ajudar nesta obra. Agradeço também a todos que têm orado por nós e nos ajudado através da UMNT. Cordialmente em Cristo,
Missionários Joab e Carla. 

domingo, 28 de março de 2021

A Potencialização de Recursos

 

A Potencialização de Recursos



Izaias Resplandes de Sousa


Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mateus 25:23

1. Introdução. Temos grande prazer em nos dirigir aos nossos irmãos do Amazonas, principalmente porque temos muito em comum, haja vista que nós também somos Amazônidas.

A atual área de abrangência da Amazônia Legal brasileira corresponde à totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do estado do Maranhão (a oeste do meridiano de 44º de longitude oeste), perfazendo uma superfície de aproximadamente 5 217 423 quilômetros quadrados.

Eu nasci em Torixoréu, às margens do rio Araguaia e minha esposa é da cidade de Nova América, uma cidade do vizinho estado de Goiás. Há dezenas de anos vivemos em Poxoréu, MT, na altura do paralelo 16º de latitude sul. E também fazemos parte da Amazônia Legal. Nós também somos Amazônidas, ou seja, somos nativos da Amazônia.

Existem dois tipos de florestas aqui: a Floresta Amazônica e a Floresta Estacional. Elas ocupam cerca de 50% do território mato-grossense.

Dentre os rios amazônicos deste Estado destacam-se o Juruena, o Guaporé, o Teles Pires, o Xingu, o Araguaia/Tocantins e muitos outros. O rio Teles Pires, por exemplo, é um curso de água que banha os estados de Mato Grosso e Pará. Sua nascente fica localizada no município de Primavera do Leste (desmembrado de Poxoréu), tendo uma extensão de 1457 km até o encontro com o rio Juruena, grande afluente do rio Tapajós, em Barra de São Manoel. O rio das Mortes, que banha o município de Poxoréu ao norte é o principal afluente do rio Araguaia, que vai desaguar no Tocantins e depois no mar, ao lado do rio Amazonas.

Como se vê, temos muitas coisas em comum. E nesta oportunidade, queremos compartilhar um pouco de nossas práticas para a potencialização de nossos recursos em prol de uma boa qualidade de vida.


Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza. ! Timóteo 4:12


2. O bom exemplo. Eu sempre digo que um exemplo é para quem quer um exemplo. Se os nossos exemplos de vida puderem ser uteis, nós ficaremos felizes. Mas não contenderemos com os irmãos que tiverem outras práticas que considerarem melhores do que as nossas. Pelo contrário, esperamos ter a oportunidade de um dia conhecê-las e, quem sabe, adotá-las também. Nós somos pessoas de mentes abertas.

E estamos prontos para ver, ouvir, compreender, experimentar e, se gostarmos, compartilhar com os demais. Recentemente, o missionário Isaias da Silva Almeida compartilhou um vídeo conosco, ensinando como conservar o abacate por meses. Como nós temos aqui em casa alguns abacateiros e não conseguimos consumir tudo, resolvemos colocar em prática o exemplo dado por ele e hoje temos abacates congelados para quando não tiver mais abacates.


E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido. João 6:11-13


3. O combate ao desperdício. Nós somos oriundos de famílias com poucos recursos. Éramos adolescentes quando nossas famílias se mudaram para Goiânia, GO. Éramos famílias numerosas. Na minha casa, éramos 13 pessoas. Na casa de Lourdes, eles eram 8 pessoas. Nossos pais não tinham profissão e trabalhavam em serviços braçais pouco remunerados. Nossa comida era a mais básica possível: arroz, feijão e farinha. Tínhamos vontade de comer frutas, verduras, carne e ovos, mas essas coisas não faziam parte de nosso cardápio. Não tínhamos condições nem para comprar pães para comermos de manhã. Íamos e voltávamos para a escola sem comer nada. No almoço, que no máximo era um prato para cada um, costumávamos deixar um pouco para comer mais tarde. Chamávamos esse resto de “égua atolada”. E ai de quem desatolasse a égua do outro. Minha madrasta chegou a cortar os longos cabelos para vender e assim comprar uniforme para os filhos. Aos poucos, fomos aprendendo a trabalhar na rua e na feira. E ajudávamos a família com algum dinheirinho. E então se comprava alguma carne e verduras. As carnes compradas eram as cabeças, pescoços e pés de galinha e as verduras, eram as pontas de feira. Minha madrasta ia na feira quando ela já estava quase acabando e aí comprava os restos por um preço bem menor.

Depois de anos vivendo essas experiências amargas, nós aprendemos a dar mais valor na comida e trouxemos essa educação para os nossos filhos e para a nossa casa.

Nós não jogamos comida no lixo. Embora minha esposa faça sempre um pouco mais do que nós comeremos, para atender alguém que possa chegar de última hora, quando terminamos a refeição, ela guarda todas as sobras. Até uma fatia de tomate é guardada. E depois comemos o que sobrou nas refeições seguintes.

Aprendemos com Jesus que as sobras devem ser ajuntadas para que nada se perca. E assim fazemos.

Certa vez, em Rio dos Crentes, eu vi um missionário comendo o resto que seus filhos haviam deixado nos pratos. Fiquei impressionado! Primeiro, ele esperou os filhos comerem. Depois ajuntou o que eles deixaram de sobra e comeu. E somente depois foi à panela para completar suas necessidades. Ele não desperdiçou nenhum grão de alimento. Aprendi que é assim que se faz.

Os recursos são sempre limitados. Mas podem ser potencializados por nossas boas práticas.

Em nossa casa, temos dois cestinhos para o lixo na pia da cozinha. Em um, colocamos o lixo seco: plásticos, latas e ossos. No outro, colocamos o orgânico: cascas de frutas e verduras. O lixeiro somente leva o lixo seco. O orgânico nós levamos para o quintal, onde as nossas galinhas aproveitam o que pode e o restante vira adubo.

Em nosso quintal, que hoje eu chamo de Mata do Vô, há 26 anos não nascia praticamente nada.

O terreno era o caminho das enxurradas que lavava tudo. Havia apenas algumas árvores. Desde então, as folhas dessas árvores nunca foram queimadas. Muramos o terreno e não deixamos nem saída para as águas da chuva. O que cai no terreno, fica no terreno. Hoje, temos uma variedade de plantas frutíferas. E, se perfurarmos o chão nas partes mais baixas, devemos encontrar uns 30 centímetros ou mais de terra preta, que foi produzida ao longo desses anos, através da decomposição de matéria orgânica. Nós pegamos dessa terra para estercar as plantas. Agora, tudo o que se planta, dá. Pode não dar muito, porque plantamos muito amontoado, mas temos frutas o ano todo. E mandioca e carás também. Neste ano eu plantei inhames.

Nós somos felizes porque tivemos bons exemplos. Na casa de meu sogro, em Goiânia, eles não apenas plantavam o quintal, mas aproveitavam até os locais das calçadas para plantar batatas. Na casa de meu pai, além do nosso quintal, nós plantávamos nos dois terrenos vizinhos ao nosso que estavam vagos. Na casa de minha mãe, nós comíamos mandioca frita no café da manhã.

Em Cristalândia, GO, o prefeito limpa os terrenos baldios e as pessoas plantam feijão neles. E estão tendo grandes colheitas.


Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão. Gênesis 8:22.


4. O ciclo da vida. Aprendemos que a vida planejada por Deus é cíclica. Assim sendo, o que acontece hoje, voltará a acontecer depois de um determinado espaço de tempo. De ano em ano temos o inverno da seca e o verão das chuvas. A Terra dá um giro em torno de seu próprio eixo em 24 horas e uma volta em torno do sol em 365 dias e algumas horas. O cometa Halley passa pela Terra a cada 75/76 anos. Vimos que é preciso conhecermos os ciclos e aprendermos a viver com eles, para tirarmos o máximo de proveito de cada temporada.


As formigas não são um povo forte; todavia no verão preparam a sua comida. Provérbios 30:25.


5. É preciso fazer hoje para se ter amanhã. Aprendemos que em cada temporada de tempo bom, de chuvas abundantes e de vacas gordas, nós devemos nos esforçar para produzirmos o máximo que for possível, a fim de que tenhamos o necessário para o atendimento de nossas necessidades na referida temporada boa e nas seguintes, porque não temos garantia de que amanhã teremos o que precisamos.

Eu tinha 27 anos quando me casei com Lourdes e não tinha nada, embora tivesse ganho muito dinheiro. Naquele tempo, infelizmente, eu não tinha aprendido que é preciso fazer hoje para se ter amanhã. Quando eu tinha, eu esbanjava. Eu praticava aquele ditado que diz: “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza!”. E quando eu ficava desempregado e sem dinheiro, eu ia para a casa de meus pais. E eu achava que isso era perfeitamente normal. Só que não era. A Bíblia diz que “quem não trabalha, também não coma”. Mesmo depois de casado, ainda quis viver sob a sombra de meu pai, o qual fazia de tudo para que eu aprendesse a viver, sem grandes resultados. E quando ele começou a regrar e me puxar o tapete no atendimento das minhas necessidades, eu apelei e decidi deixá-lo. Naquele momento, foi muito doloroso. Mas, graças a Deus que aconteceu. A partir daquele dia, eu aprendi que, abaixo de Deus, eu deveria contar era comigo mesmo. E então decidi mostrar para o meu pai que eu não precisava dele para sobreviver. E ainda que a motivação não tenha sido a melhor de todas, ela deu certo.

A partir de 1986, quando deixei a casa de meu pai, sem nenhum centavo no bolço, com a mulher à beira de dar a luz ao nosso primeiro filho e apenas com as malas de roupa, eu dei um outro rumo para a nossa vida. Viemos para Poxoréu, onde minha mãe morava. Ficamos na casa dela por dois meses, até que Lourdes passasse pelo reguardo de nosso filho, o qual nasceu nove dias depois que chegamos. Fui trabalhar na Prefeitura. Depois do resguardo de Lourdes fomos morar em uma casinha de 25 metros quadrados: sala, cozinha, quarto e banheiro. E tinha um quintal, o qual cercamos de tela e plantamos uma bela horta. Plantamos toda a área. Até as cercas serviam de suporte para plantas trepadeiras. Lourdes e eu saíamos pelos cerrados e pastos de fazendas vizinhas à cata de estrume de gado para esterco em nossa horta.

Trabalhamos arduamente. O salário que recebia era usado para comprar comida, roupas, pagar os móveis e um lote à prestação que tínhamos adquirido. Depois construímos nossa primeira casa. E compramos outros lotes ao lado dela. E plantávamos tudo. Assim, ficamos livres do aluguel e garantimos que teríamos comida na mesa, caso ficássemos desempregados, mesmo que fosse guariroba, mandioca, batata, cará e frutas. Mas não fiquei desempregado. Pelo contrário, arrumei mais um emprego, considerando-o como um plano B de sobrevivência. Me tornei professor do Estado. No entanto, nunca esbanjamos o que ganhamos. Tirávamos o necessário para nossa manutenção e o restante nós investíamos em novos planos de sobrevivência.

Tempos depois comprei um sítio à prestação, que era para ser o plano C. Mas terminei trocando ele por um mercado, o Mercado Torixoréu. E nesse mercado, minha mulher e meus filhos trabalharam durantes muitos anos. Ele foi o nosso plano C.

Trabalhava de dia e de noite. Mesmo assim ainda voltei a estudar. As aulas eram nos feriados, férias e fins de semana. E assim, consegui fazer meu primeiro curso superior, chamado curso de férias, oferecido na minha cidade pela Universidade Federal de Mato Grosso. E me formei em Pedagogia. Fui reclassificado e meu salário no Estado aumentou. Com o incremento, fiz duas pós-graduação, uma na área administrativa voltada para a Prefeitura e outra na área de educação, que também contribuiu para o aumento do meu salário no Estado. Depois fiz o curso de Matemática na UFMT e Direito na UNIC, polos de Primavera do Leste. Eu ia e voltava todos os dias. Formado em Matemática, fiz meu segundo concurso de professor no Estado. Deixei a Prefeitura de Poxoréu. E tomei posse na segunda cadeira no Estado. Troquei de plano A. Estou aposentado nessas duas cadeiras (Planos A e B). Nós paramos com o Mercado Torixoréu em 2013 (perdemos o plano C). Só que não, pois em 2010 me tornei advogado e, até hoje exerço essa profissão (que é meu novo plano C). Ao longo desses anos, usei os recursos para construir algumas casas que alugo. O aluguel delas é o meu plano D.

Entendemos que é muito importante a gente trabalhar hoje pensando no amanhã. Defendemos que o sacrifício hoje vale a pena para que possamos ter um amanhã melhor. O sacrifício é temporal e passageiro, não é pela vida toda. Mas, se não fizermos hoje, o que hoje podemos fazer, então sofreremos privações tanto hoje, quanto amanhã. Ainda que possamos ser socorrido em nossas necessidades, normalmente esse socorro se dá com apenas o mínimo necessário para viver, não permitindo o desfrute do lazer e de outros prazeres.


Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Mateus 6:25.


6. Ansiedade e investimento. Aprendemos que a ansiedade sobre a sobrevivência futura é uma doença e deve ser evitada. Isso não significa que não devemos fazer nada para termos um futuro melhor. Muito pelo contrário. As ações de investimentos em nosso futuro são meios de cura da ansiedade em relação a ele. Aquele cuja sobrevivência depende apenas de um plano, pode ficar em situação difícil se esse plano falhar. Mas se temos dois ou mais planos, falhando um ainda teremos os outros.

José, quando foi chefe de governo do Egito instituiu a poupança obrigatória de 20% de toda a produção do país para atender eventuais emergências futuras.


Faça isso Faraó, e ponha administradores sobre a terra, e tome a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura. Ajuntem os administradores toda a colheita dos bons anos que virão, recolham cereal debaixo do poder de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem. Assim, o mantimento será para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito; para que a terra não pereça de fome”. Gênesis 41:34-36.

E José estabeleceu por lei até ao dia de hoje que, na terra do Egito, tirasse Faraó o quinto; só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó. Gênesis 47:26.


José não estava ansioso em relação aos problemas futuros, principalmente porque ele estava tomando providências para evitá-los. Aprendemos que é assim que devemos proceder. Preocupar-se com a melhoria das condições de vida futura não tem nada a ver com ansiedade, mas sim com responsabilidade.

Entendemos e praticamos isso, por entender que é isso que Deus espera de nós.