A
obra bem feita
Izaias
Resplandes

Servi
ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto. Salmos 100:2.
Quando
lemos o Gênesis, nós nos deparamos com o registro da criação de
todas as coisas, de forma um pouco generalizada, ainda que tenhamos
detalhes sobre como isso se deu, em alguns casos. Qual foi a
finalidade dessa criação, tanto da natureza, como dos animais e do
ser humano? Às vezes, numa abstração forçada, pensamos que Deus
criou tudo por causa do homem. Seria esse o motivo?
É
verdade que a Terra é o lar do homem; e que Deus lhe deu o domínio
sobre ela; e deu-lhe ainda toda a erva que dê semente e toda árvore
que em que há fruto que dê semente, bem como todos os animais, da
terra e do ar, para que lhe servisse de mantimento. Mas, será que
por conta disso, a criação terrena e também o resto do universo,
foi para atender ao homem?
Antes
de continuar, vamos conferir os dados bíblicos sobre a criação do
homem.
E
disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine
sobre
os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre
toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E
criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou.
E
Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e
enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e
sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a
terra.
E
disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que
está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há
fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.
E
a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil
da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para
mantimento; e assim foi. Gênesis 1:26-30.
Agora
voltemos à reflexão.
Se
pensarmos que Deus fez tudo para o homem, creio que estaremos fazendo
uma inversão nas coisas, colocando Deus para servir ao homem, em vez
de colocarmos o homem servindo a Deus.
É
de ver que o homem foi criado para servir a Deus e não o contrário.
Essa é uma resposta para a finalidade da criação do homem, a qual
encontra respaldo por toda a Escritura Sagrada. Vejamos:
Dizendo:
Este persuade os homens a servir
a
Deus
contra
a lei. Atos 18:13
Então
voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que
serve
a Deus,
e o que não o serve. Malaquias 3:18.
Paulo,
servo
de Deus,
e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o
conhecimento da verdade, que é segundo a piedade. Tito 1:1
Mas
agora, libertados do pecado, e feitos
servos de Deus,
tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.
Romanos 6:22.
Retomando
o tema, é de perguntar para, exatamente, que serviço Deus criou o
homem? Qual era a necessidade de Deus que justificava a criação do
homem?
Alguém
pode dizer que Deus não tinha e nunca teve nenhuma necessidade. Mas
isso não pode ser verdade. Se pensarmos dessa maneira, então, a
interpretação lógica decorrente é a de que a criação do homem
foi uma inutilidade, posto não atender a nenhuma necessidade. E isso
também valeria para toda a criação. Mas, como não compactuo com a
teoria da inutilidade, ao ler os versos sobre a criação do homem,
vejo que Deus o criou para ocupar a Terra, governando-a, sujeitando-a
e dominando-a. E essa foi a necessidade que vislumbrei para a criação
do homem.
É
certo destacar que Deus não criou nada inútil. A mulher, por
exemplo, foi criada para ser companheira do homem, porque não era
bom que este estivesse só. Toda a criação tem um propósito.
Tudo
tem o seu tempo determinado, e há tempo
para todo o propósito
debaixo
do céu. Eclesiastes 3:1
Que
fareis, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem
doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se
tudo para edificação.
1 Co 14:26.
Olhando
mais atentamente para o início, vemos que a criação, em
determinado momento estava um caos. E Deus reorganizou tudo,
colocando cada coisa no seu devido lugar. Deus é o Eu sou, um ser
organizado, que não gosta de bagunça e de desleixo. O homem, tendo
sua imagem e semelhança, também foi dotado dessa capacidade de
organização.
Deus
não poderia deixar a sua linda criação, tão cheia de vida, alheia
à própria sorte. A Terra deveria espelhar a glória de Deus,
deveria ser ocupada, sujeitada e dominada para que cumprisse esse
propósito. O homem foi criado com essa missão de mordomia, de
cuidar da criação de Deus, para Deus.
Para
Adão, sem os meios de locomoção, a Terra era ainda bem pequena. No
princípio, o Jardim do Éden. Depois, com seus primeiros filhos, as
adjacências dele. E, na medida em que se multiplicavam os filhos de
Adão, eles foram ocupando, dominando e sujeitando toda a Terra.
Hoje, somos quase oito bilhões de pessoas com essa responsabilidade
de mordomia divina. E estamos bem distribuídos, de tal forma que,
cada um de nós, pode exercer a finalidade de nossa existência no
lugar onde estamos, para facilitar que isso seja feito da melhor
forma possível, sem se tornar um fardo pesado para ninguém. Jesus
disse: “o meu fardo é leve e o meu jugo, suave”.
A
mordomia inclui cuidar da terra, dos animais, das plantas e das
pessoas. Posteriormente, poderemos dissertar sobre os detalhes de
todo esse serviço. Agora, queremos apenas dizer que ele deve ser
feito com muita alegria e entusiasmo.
Em
nossas ações de mordomia, devemos “servir ao Senhor com alegria”
(Salmos 100:2).
Devemos
dar o melhor aproveitamento possível aos recursos disponíveis,
evitando o desperdício. Assim nos ensinou o Grande Mestre. “E,
quando estavam saciados, disse [Jesus] aos seus discípulos: Recolhei
os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. João 6:12.
Assistindo
ao reality Masterchef, observei que uma das orientações do Chef é
que os cozinheiros “valorizem os ingredientes”. E nas aulas de
Economia, na Faculdade de Direito, também aprendi que em todas as
sociedades, os bens existentes são limitados e insuficientes para
atender às necessidades ilimitadas dos homens. Uma das formas de
honrar a Deus e glorificá-lo com nossa mordomia, consiste na
valorização da criação, usando tudo da forma mais adequada, para
que haja uma maior disponibilidade para todos.
Quantas
vezes já fiz referência ao péssimo hábito que as pessoas têm de
deixar comida no prato e, que, depois vai para o lixo. O serviço
comercial dos restaurantes contribuía muito para isso. A invenção
do self service, cobrando cada grão que o cliente coloca no prato,
atendeu à grande necessidade de controle nessa área, pois parece
que o homem somente sente a dor, quando esta lhe atinge os bolsos.
Por
outro lado, é possível de se ouvir que o homem tem invertido os
papéis, deixando de glorificar a Deus para glorificar a si mesmo.
Que, em vez de trabalhar para promover e fazer brilhar o reino de
Deus sobre a Terra, o homem faz isso em seu próprio benefício, ou
seja, buscando um brilho e resplandecimento próprio. Não digo que
isso não aconteça. No entanto, sei que, se cumprirmos a nossa
missão de forma brilhante, com certeza, nós também brilharemos
junto com ela. Se nosso trabalho não for capaz de nos fazer brilhar
junto com ele, certamente é porque não foi bem realizado. Não
devemos trabalhar apenas para que possamos brilhar, mas sim para que
a nossa boa obra brilhe mais do que nós, que, certamente, também
brilharemos junto com ela. O bem-feito brilha, enquanto que o
malfeito, ofusca.
Deus
deseja pessoas eficientes e brilhantes cumprindo sua missão e, não
apenas, servos inúteis que não fazem nada mais do que sua
obrigação. A parábola dos talentos nos mostra o quanto ele é
exigente com relação às missões que nos convoca para executar.
Ele deseja nos recompensar pelas boas obras, mas deseja obras
realmente de boa qualidade.
Assim
diz a palavra: Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for
mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que
devíamos fazer. Lucas 17:10.
Ao
finalizar, quero destacar que nós fomos chamados para fazer as boas
obras que Deus, de antemão, preparou. Então, vamos fazê-las com
alegria e entusiasmo, sempre da melhor forma possível. Não é
errado brilhar junto com a obra que fizermos. Errado é não fazer
uma obra brilhante. Que Deus nos abençoe!