sábado, 30 de outubro de 2021

Para não dizer que não falei do amor...


Izaias Resplandes de Sousa




O amor seja não fingido. Romanos 12:9.

A palavra amor é uma das mais usadas em textos, áudios e outras espécies de manifestações.

Vindo do latim amore, é uma emoção ou sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa.

O amor é um sentimento que me leva a querer e a desejar fazer o bem para outrem.

Quando eu digo “eu te amo”, estou dizendo que sinto um desejo de fazer o bem para você. E quando eu digo “eu não te amo mais”, estou dizendo que eu não quero mais te fazer o bem.

É muito importante que a gente compreenda isso, porque normalmente, nós vemos relacionamentos acabarem, não só, mas principalmente os conjugais, porque um dos cônjuges conclui que “o amor acabou” ou “tudo o que eu sentia por você, acabou”.

Meus queridos…

O amor não desaparece. O que acaba e desaparece é a nossa vontade de amar o outro, de fazer para ele o que é bom, de ajudá-lo e coisas assim.

Em todas as variações do amor, seja o eros, seja o phileo, seja o agape, o significado é sempre o mesmo: querer o bem, querer o melhor, querer o mais bem-feito, querer o sucesso, querer o crescimento, querer tudo o que for bom… para outrem.

O amor é, portanto, uma disposição interior, uma decisão, uma vontade, um querer fazer essencialmente positivo para outrem. Assim, eu posso amar a qualquer pessoa que eu querer, que eu desejar. Ou posso não amar ninguém, por não querer isso. Sim, porque o amor não depende do outro, mas apenas de mim. Não tem nada a ver com eu ser amado por aquela pessoa a quem amo. O amor é a ida, que às vezes tem volta e às vezes, não tem. Paulo diz em 1 Coríntios 13:5 que o amor “não busca os seus interesses”. Aquele que se dispõe a amar, ama simplesmente, incondicionalmente. O amor não é uma troca, não é uma via de mão dupla. Não depende de reciprocidade.

A gente pode amar uma pessoa que nos odeia, que quer o nosso mal, que é nosso desafeto, que trama contra nós o tempo todo. Então, voltando ao relacionamento conjugal, que está se desfazendo por falta de amor, é muito importante que a gente compreenda que se há falta de amor, essa falta é sempre minha e não do outro. Sou eu que não quero amar mais o outro, sou eu que não quero mais ver o seu dele, sou eu que não quero o seu bem. Então, se o casamento começou quando o meu desejo de amar alguém se tornou realidade, ele só vai acabar quando eu decidir que não quero mais amar aquela pessoa. A culpado do desfazimento não tem nada a ver com o fim do amor, mas com o fim de uma vontade de amar.

É claro que estamos falando do amor não fingido.

Vejamos algumas das características desse amor verdadeiro, que, necessariamente, não precisa ser entre um homem e uma mulher.

O amor é fraternal. Romanos 12:10.

A dedicação daquele que ama é semelhante àquela que se dedica ao irmão, aos pais e familiares. A gente não deixa de ser irmão de alguém somente porque se desentendeu com ele. A gente fica chateado, mas, na maioria das vezes, quando o calor do conflito passa, a gente está pronto para retomar de onde parou e esquecer o conflito. Aquele que ama, age dessa maneira. Amar, não significa ter concordar em tudo com o outro. A gente pode amar e discordar do outro em muitos casos, mas nem por isso deixamos de amar, ou o amar acaba.

Quando a gente ama alguém, a gente honra essa pessoa, dando para ela a preferência. Romandos 12:10.

Exemplifico.

Quando tivermos que resolver um conflito jurídico, vamos dar a preferência ao nosso irmão advogado, ao invés de outro advogado; quando tivermos que consertar o nosso eletrodoméstico, vamos dar a preferência para o irmão eletrotécnico, em vez de outro técnico; quando precisarmos construir, vamos dar a preferência para os irmãos construtores (engenheiros, arquitetos, pedreiros, serventes, carpinteiros, eletricistas e outros profissionais); quando tivermos que comprar os mantimentos para a nossa casa, vamos dar a preferência para a mercearia ou o mercado do irmão; nos remédios, a farmácia do irmão. Por que nós damos preferência a outras pessoas e não àqueles irmãos que nós dizemos amar? A verdade é que achamos que não faz diferença, ou então, porque o irmão é mais careiro, ou fica mais longe de nossa casa, etc, etc e etc.

Sabe, queridos, nós podemos dar a desculpa que quisermos: eu comprei uma junta de bois, eu casei, tenho que ir em um funeral… Desculpas para praticarmos o amor fingido, nunca vão faltar. Mas, se quisermos praticar o amor verdadeiro, não fingido, então está na hora de começarmos a dar a nossa preferência aos irmãos.

Quem ama, cuida. Romanos 12:11.

Cuida da mulher, cuida do marido, cuida do irmão, cuida, cuida, cuida… Se somos lentos em cuidar das pessoas a quem dizemos amar, provavelmente estamos indo para as fileiras dos fingidos e precisamos rever nossa posição, ver onde foi que nos desviamos e retomar outra vez o caminho.

O amor tudo crê e tudo suporta! Coríntios 13:7

Claro que estamos falando do amor verdadeiro e não de um amor fingido.

Vamos exemplificar. Se meu filho comete um erro grave, o que eu faço? Ajudo ele a reparar o erro, ou coloco ele para fora de casa e não quero mais saber dele? Normalmente, a gente sempre está pronto para ajudar a reparar o erro, ainda que haja algumas pessoas que pensam diferente e não vamos confrontá-las agora. Se minha mãe, pai, cônjuge ou filho fica doente não é certo que vou mover céus e terras, vou me humilhar (se preciso for) e pedir ajuda para cuidar deles enquanto viverem, ao invés de deixá-los morrer à míngua. E a gente faz isso, irmãos, não é porque eles merecem (às vezes merecem, às vezes não, isso não vem ao caso). A gente faz porque amamos eles. Quem ama cuida, meus que nunca foi e nem venha a ser cuidado pelo ser amado. A gente ama porque quer amar. Só por isso.

Quem ama, suporta. A gente sabe que não é fácil engolir certos sapos, mas quando a gente decide amar alguém, seja um filho, seja um cônjuge, seja um pai ou uma mãe, a gente está pronto para engolir a azeitona com caroço e tudo e suportar, sem condições, crendo que é possível uma transformação, uma mudança, uma melhora no quadro. Quem ama, crê.

E para encerrar, não podemos deixar de fora o amor de Deus por nós. Ele não me amou porque eu o amei.

Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós quando nós ainda éramos pecadores. Romanos 5:8.

Deus não levou em conta se o amávamos ou não. Ele simplesmente nos amou. E continuará amando até o fim, porque Deus crê que o homem que ele criou pode se transformar de novo em um homem “muito bom’, como era no princípio. Deus é capaz de suportar nossa grosseria, nosso desamor, nossa falta de interesse por ele, nossa agressividade e qualquer outra coisa. Quem ama, suporta. Deus nos ama e nos suporta.

O amor de Deus não é fingido e ele gostaria muito que o nosso amor também não fosse fingido. O amor de Deus é verdadeiro e ele gostaria que o nosso amor também fosse verdadeiro.

Não é possível amar a Deus e odiar seu irmão, salvo através do amor fingido. Se tenho qualquer coisa contra o meu irmão, preciso resolver isso e não simplesmente me afastar dele. O amor verdadeiro não é fundamentado na hipocrisia. Eu sei que é difícil não ficar irritado com certas coisas que as pessoas a quem amamos fazem, mas não podemos deixar de amá-las por conta disso. Devemos ter fé, suportar e crer que as coisas vão se resolver.

Para encerrar…

Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. 1 João 3:18.

Deus nos abençoe!


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